«Não podemos olhar para todos os hospitais, para todas as zonas do país no mesmo prisma. Tem de haver situações diferenciadas, [e] um olhar especial para algumas zonas do país», sustentou Carlos Cortes, que falava aos jornalistas, em Santiago do Cacém, após uma reunião com a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Litoral Alentejano.
«Não tenho dúvidas nenhumas de que o Litoral Alentejano é precisamente uma das áreas em que tem de haver uma diferenciação», afirmou o bastonário, no âmbito de uma visita de dois dias à região para avaliar as condições de prestação de cuidados de saúde, sublinhando que a região debate-se com «enormes dificuldades em termos de recursos humanos».
«Temos neste momento 30% da população que não tem apoio nos cuidados de saúde primários e isso reflete-se depois na pressão que existe sobre os serviços de urgência», referiu.
Na área dos cuidados de saúde primários, indicou, a ULS do Litoral Alentejano conta com «cerca de 25 médicos», incluindo «médicos que tendo atingido a idade da reforma ainda se mantêm a trabalhar», e um «total de menos de 100 médicos».
«Por mais moderno, por mais recente e por melhores que possam ser as instalações, se não houver recursos humanos, nomeadamente médicos, mas também de enfermagem, é muito difícil dar uma resposta adequada à população», defendeu.
Numa região com cerca de 100 mil habitantes, o bastonário destacou também a pressão sobre os serviços de urgência, que registam 100 mil episódios por ano, uma percentagem «muito acima dos dados nacionais».
Além da população residente, a resposta é pressionada pela presença de imigrantes e de uma população flutuante, relacionada nomeadamente com a atividade económica e industrial de Sines, acrescentou Carlos Cortes, defendendo que o Ministério da Saúde deve criar um «índice de carência» e considerar, entre outros fatores, o elevado custo da habitação e as dificuldades de acesso aos transportes públicos.
Segundo o bastonário, a Ordem dos Médicos vai apresentar, na sexta-feira, um documento com propostas para o Ministério da Saúde e o Governo intervirem em áreas de baixa densidade populacional.
«A área do litoral alentejano é precisamente uma dessas áreas», afirmou, mas quando questionado sobre outros territórios, Carlos Cortes apontou o Alentejo, o Algarve, o interior das regiões Centro e Norte e até algumas áreas urbanas, como Lisboa, no caso da Medicina Geral e Familiar.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa
Fotografia: © Ordem dos Médicos










