“Terra Sol Liberdade” celebra 30 anos do Museu Jorge Vieira em Beja

Um total de 74 peças, algumas criadas por Jorge Vieira (1922-1998) e outras produzidas por vários artistas com ligação a Beja ou ao escultor, integra a exposição que vai poder ser visitada no Centro de Arqueologia e Artes.

A mostra, intitulada “Terra Sol Liberdade”, será inaugurada às 17h30 do próximo dia 13 e estará patente até 31 de dezembro, pretendendo celebrar os 30 anos de existência do Museu Jorge Vieira, criado em Beja a partir da doação que o escultor fez à cidade, em 1995..

“O Museu tem sido casa de um conjunto notável de esculturas, maquetas e desenhos que marcaram a arte portuguesa do século XX [e] 30 anos depois e um ano depois de se cumprirem os 50 anos de Abril, a cidade devolve-lhe uma homenagem” através desta exposição, refere fonte municipal, acrescentando que a mostra resulta de um convite feito “a vários artistas” com vínculos à cidade e ao próprio escultor para “criarem e dialogarem com obras de Jorge Vieira”.

“Nessa altura, foi também estabelecido que [os artistas] iriam fazer uma residência artística em Beringel”, uma das freguesias rurais do concelho, refere a mesma fonte, indicando que a escolha de Beringel, terra de oleiros, se deveu ao facto de “a matéria de eleição de Jorge Vieira, embora trabalhasse outras, como a pedra e o ferro, ser o barro e a terra”.

Desse encontro de 10 dias, que contou com a participação dos mestres oleiros António Mestre e José Manuel Parreira, em julho deste ano, surgiram “novas obras que se cruzam agora com o espólio de Jorge Vieira”.

A mostra vai apresentar ao público 28 obras de Jorge Vieira, “selecionadas por cada um dos artistas para dialogar com a sua criação artística”, e 46 peças, entre desenhos e esculturas, “inéditas”, ou seja, produzidas “de propósito para esta exposição”.

A escultora Noémia Cruz, que foi companheira do artista plástico, participa com duas peças, assim como a professora e artista Marta Castelo, com “cinco esculturas e instalações em barro”, e a amiga e escultora Virgínia Fróis, com cinco peças.

Outros dos participantes são a ilustradora e sobrinha de Jorge Vieira, Cláudia Guerreiro (dois desenhos e cinco esculturas), o artista Tiago Mestre (duas instalações em barro), o ceramista Heitor Figueiredo (oito esculturas de barro, madeira e outras matérias) e a artista plástica residente em Beja Suzana Henriqueta (dois desenhos e seis esculturas).

Participaram ainda na residência artística as estudantes da Faculdade de Belas-Artes, em Lisboa, Bárbara Rodrigues e Rita Carreira, “para criarem elas próprias as suas obras de arte”, tendo contribuído para a mostra com oito esculturas e um desenho.

Segundo a autarquia, “mais do que um exercício comemorativo”, esta exposição pretende “renovar o diálogo entre Vieira, os artistas de hoje e a cidade de Beja, perguntando de que forma continuamos a pensar o escultor e o seu ‘ethos'”.

Nome maior da escultura em Portugal, Jorge Vieira nasceu em Lisboa, a 16 de novembro de 1922, frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola de Belas-Artes, onde estudou arquitetura e escultura, e em Londres na Slade School of Fine Arts. Morreu em Estremoz a 23 de dezembro de 1998.

Está representado em coleções públicas e privadas, como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e o Museu do Chiado, em Lisboa, e o museu em Beja detém grande parte do seu espólio, 

Trabalhou com arquitetos como Frederico George, Francisco da Conceição Silva e Jorge Ferreira Chaves e deixou obras de arte pública como o “Gradeamento” (1997), na Praça do Município, em Lisboa, o Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido (1994), em Beja, ou o “Homem Sol”, para a EXPO 98, no Parque das Nações, em Lisboa.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Centro de Arqueologia e Artes/Arquivo

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