Não foi ficção. Foi uma viagem de comboio no Alentejo, em pleno 2026.
O relato começou nas redes sociais, com um post de Jorge Serafim, presidente da Associação Beja Merece +, que não poupou nas palavras: «A vergonha das vergonhas!»
Jorge Serafim encontrou em Casa Branca passageiros vindos de Beja no comboio das 10h45, parados há mais de três horas e meia. A automotora tinha avariado no meio do campo, longe de qualquer localidade. A GNR e a proteção civil foram chamados ao local, mas as viaturas não conseguiram chegar junto dos passageiros por não conseguirem atravessar caminhos privados e vedações de propriedades.
O socorro chegou de moto4. As pessoas receberam garrafas de água enquanto aguardavam que uma locomotiva, vinda de Lisboa, rebocasse a composição até Casa Branca.
No final, os passageiros foram colocados num autocarro de recurso com destino a Beja, e com paragem em todas as estações da linha — por estrada. Quem pretendia apanhar ligação para Lisboa desistiu. «As pessoas que previam ir para Lisboa no autocarro das 10h45 optaram quase todas por regressar à cidade que tem a torre do castelo mais alta da Península Ibérica», escreveu Jorge Serafim, numa ironia que dispensa outras explicações.
Mas este não foi o único relato do dia. Na rede social Reddit, um utilizador residente em Beja descreveu uma odisseia semelhante, numa viagem planeada para Évora. O comboio das 8h22 já tinha avariado, pelo que foi disponibilizado um autocarro de substituição. O troço de estrada de Alcáçovas para Casa Branca estava cortado ao trânsito.
O revisor procurou rotas alternativas e o GPS indicou um acesso local — uma estrada de terra batida que, a meio do percurso, dava de frente com um portão trancado a delimitar uma zona de caça. «Com isto tudo, eu só tenho uma pergunta», escreveu o utilizador: «Até quando é que o Alentejo vai continuar a ser a região menos desenvolvida de Portugal? Até quando é que vamos ter de esperar para que sejam feitos os investimentos necessários para conectar esta região ao resto do país — sem ser só Évora?»
A questão não é nova. O Alentejo tem sido palco de promessas recorrentes de investimento na ferrovia, anunciadas sobretudo em momentos de grande visibilidade política. Jorge Serafim foi direto: «Se os grandes eventos servem para fazer promessas, o dia a dia deveria ser para cumpri-las».











2 Responses
Passei por essa situação. O comboio que ia de Évora para Lisboa esteve parado na estação de Casa Branca durante hora e meia à espera dessa automotora de Beja que nunca veio a chegar. Após muitas insistências dos utentes lá decidiram avançar na linha sem terem.noticias da famosa automotora que passa os dias avariada.
O Alentejo merece melhores serviços com os transportes. Levem este caso á televisão.