Beja, Évora e Portalegre somam 22 freguesias sem acesso a caixa multibanco

Um estudo do Banco de Portugal, divulgado esta segunda-feira, identifica 22 freguesias sem qualquer ponto de acesso a numerário nos distritos de Beja, Évora e Portalegre, que juntas somam mais de 12 mil habitantes sem dinheiro físico disponível na sua área de residência. Segundo o supervisor bancário, Beja é ainda o distrito do país com mais freguesias classificadas como «potencialmente vulneráveis» a futuras contrações da rede.

De acordo com o estudo sobre a rede de acesso a numerário, divulgado pelo Banco de Portugal, existiam no final de 2025, em Portugal, quase 18 mil pontos de acesso a numerário — dos quais cerca de 14.600 (80%) correspondiam a caixas automáticas, como as da rede Multibanco, 2.700 a agências bancárias com serviços de numerário e 550 a pontos de cash-in-shop, da rede Nickel.

Apesar desta cobertura, das 3.092 freguesias existentes no país, 1.241 (40%) não dispunham de nenhum ponto de acesso, o que obriga cerca de 700 mil pessoas — sete por cento da população nacional — a sair da sua freguesia para ter acesso a dinheiro «vivo».

Nos distritos do Alentejo abrangidos pelo estudo, a situação traduz-se em 22 freguesias sem qualquer ponto de acesso: seis no distrito de Beja, onde residem 4.228 habitantes; 10 no distrito de Évora, com 6.010 habitantes; e seis no distrito de Portalegre, com 2.134 habitantes.

O Banco de Portugal ressalva, contudo, que «a ausência de um ponto de acesso numa freguesia não implica, por si só, cobertura insuficiente», uma vez que, em muitos casos, «a proximidade de pontos situados em freguesias vizinhas proporciona condições adequadas de acesso».

Ainda assim, o estudo identifica 15 freguesias em todo o país cuja distância média ao ponto de acesso mais próximo excedia 20 quilómetros, totalizando 3.140 residentes e uma área de 488 quilómetros quadrados — valores que, segundo o Banco de Portugal, «confirmam que os desafios tinham expressão demográfica limitada à escala nacional, embora relevância territorial».

O supervisor bancário avaliou também a relação entre a infraestrutura disponível e a população ou o território servido por cada ponto de acesso, classificando como potencialmente vulneráveis as freguesias em que, no final de 2025, se verificava pelo menos uma de três condições: cada ponto de acesso servir, em média, 4.000 ou mais residentes; servir, em média, 150 quilómetros quadrados ou mais; ou servir, em média, pelo menos 1.500 residentes e 50 quilómetros quadrados.

Com base nestes critérios, foram identificadas 36 freguesias potencialmente mais vulneráveis a nível nacional, sendo Beja o distrito com mais casos — oito —, seguido de Santarém, com cinco, Castelo Branco, com quatro, e Évora, com três. Segundo o Banco de Portugal, «os resultados sugerem que esta exposição se concentra sobretudo em territórios do interior, com destaque para Beja, onde a rede revela maior sensibilidade a eventuais encerramentos».

O estudo sublinha ainda que, apesar da relevância territorial do tema, «a situação não parece ter-se agravado nos últimos anos».

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