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Beja: Trabalhadores da Cruz Vermelha já receberam carta de despedimento

Trabalhadores e familiares de utentes protestaram em Beja contra o encerramento dos dois lares da Cruz Vermelha. Os funcionários já receberam carta de despedimento. O encerramento deverá ocorrer até final do mês. Maria Frederica (texto e fotografia)

Os cerca de 30 trabalhadores da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) em Beja já receberam a carta que os informa do despedimento e, apesar da instituição ter garantido um acompanhamento individualizado, tendo em conta a situação socioeconómica de cada trabalhador, e ter prometido realizar contactos no sentido de voltar a integrar estas pessoas no mercado de trabalho, os funcionários queixam-se de falta de apoio e de soluções. 

Por isso manifestaram-se esta sexta-feira, em Beja, numa ação de protesto que contou com a presença de familiares dos utentes que ainda permanecem nas casas de repouso José António Marques e Henry Dunant, que a CVP pretende encerrar no final deste mês por terem “condições pouco dignas” para alojar os idosos, em virtude da degradação dos edifícios.

O anúncio do encerramento foi feito em janeiro passado por António Saraiva, presidente da Cruz Vermelha, mas passados seis meses ainda não há solução para os trabalhadores, exceto o desemprego.

Emídia Bexiga, de 61 anos, trabalha na instituição há 36 anos, vendo-se agora desempregada. Afirma estar com os pés e mãos atadas: “Não sei se terei alguma indemnização, não sei nada. Não há soluções para os trabalhadores, esquecem-se das famílias, das pessoas”, lamenta.

Com o aproximar da data de encerramento, os familiares dos utentes também se dizem “revoltados” com a falta de respostas. Filho de uma utente, António Lampreia diz estar “completamente desolado com as soluções” propostas pela CVP.

As opções de recolocação destes idosos, ao contrário do que tinha sido garantido aos familiares, não é somente na zona de Beja, estando as vagas disponíveis espalhadas por inúmeros sítios, como Barrancos, Évora, Charneca da Caparica, Montemor-o-Novo ou Pias. “Não têm o direito de mandar a minha mãe para Barrancos ou para a zona de Lisboa”, desabafa Conceição Carvalho.

O descontentamento é notório e é com pesar que António Lampreia resume a situação vivida pelos familiares: “A minha mãe está habituada a que eu venha vê-la todos os dias, ao domingo venho buscá-la para vir passar o dia connosco e, obviamente, se estiver a 70 ou 80 quilómetros de distância isso será completamente impossível. Isto é matá-la em vida, porque as nossas visitas são o seu suporte”.

Os familiares dizem ter recebido a indicação da Cruz Vermelha de que, se não aceitarem estas opções, ficam com os utentes à sua responsabilidade. Acresce que a maioria dos lares com protocolo com a Segurança Social não tem vagas. E que a mensalidade dos privados “é incomportável” para a maioria dos utentes. 

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