Na composição escultórica, Silvestre Raposo evoca momentos e símbolos da vida de Al-Mu’tamid: «o castelo erguido sobre o rochedo, a lágrima da saudade, a chave da casa perdida, o jardim da infância, o coração ferido, a coroa deixada para trás e a permanência da palavra poética como legado intemporal».
Segundo o município, a leitura dos elementos parte da própria poesia do homenageado: Al-Mu’tamid referia-se ao seu reino como «sendo ele próprio uma enorme montanha», evocava durante o cativeiro «com saudade a sua casa e a cidade da sua infância, onde existiam jardins» e afirmava, no final da vida, ter perdido tudo «exceto a palavra e a sua poesia».
Assim, o escultor «ergue um castelo no rochedo, com uma lágrima derramada na frente» e, aos lados, «a chave, símbolo da sua casa, e o jardim». Na parede de trás figuram «um coração ferido, uma coroa que tinha ficado no passado e uma máscara fúnebre numa campa rasa».
Silvestre Raposo tem um percurso artístico reconhecido nacional e internacionalmente, sendo autor de cinco monumentos de arte pública e de mais 22 obras presentes em museus e espaços públicos. Formado pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde foi membro do Conselho Pedagógico, é também professor de Design no Instituto Superior D. Afonso III, em Loulé, e autor de várias obras de poesia, duas das quais editadas em Pontevedra, na Galiza. Possui uma Casa-Museu com o seu nome. Os seus monumentos e esculturas têm, segundo o próprio, dois elementos comuns: «a paz e a cultura».
Com esta inauguração, a organização afirma prestar «homenagem a uma das figuras que marca a história da cidade», convidando «toda a comunidade a acompanhar este momento de celebração da memória, da arte e da identidade de Beja».
Fotografia retirada da página de Facebook «Beja em Imagens» e editada com recurso a inteligência artificial










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