Beja investe dois milhões no restauro ecológico de espaços urbanos

O Município de Beja assinou o protocolo que formaliza a criação de um refúgio climático na cidade, no âmbito do PRO NAT.URBE – Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas, passando a integrar o grupo dos seis municípios-piloto nacionais para a adaptação às alterações climáticas.

Com a assinatura do protocolo entre o Município de Beja e o Ministério do Ambiente e Energia, a cidade passa a desenvolver um projeto de restauro ecológico dos espaços urbanos e de criação de uma rede de abrigos climáticos. O projeto representa um investimento municipal superior a dois milhões de euros, com um apoio de 500 mil euros do Fundo Ambiental.

Segundo dados divulgados pelo município, o coberto arbóreo urbano de Beja é atualmente de apenas 2%, valor cinco vezes inferior ao limiar de 10% estabelecido pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza — o principal indicador técnico que fundamenta o projeto, tendo em conta a elevada exposição da cidade ao calor extremo e às ondas de calor.

A intervenção será desenvolvida até 2028 e assenta numa estratégia integrada de adaptação climática, que contempla a requalificação de várias áreas do jardim público, a criação de novos espaços de sombra, a recuperação dos lagos e espelhos de água, a instalação de pavimentos drenantes e o restauro de elementos patrimoniais daquele espaço.

O projeto prevê ainda o reforço da infraestrutura verde urbana, com a plantação de cerca de 270 novas árvores em ruas, praças e jardins, a reposição de caldeiras vazias e a criação de novas estruturas de sombra, medidas que, segundo o município, contribuem «para reduzir o efeito de ilha de calor e melhorar o conforto térmico no espaço público».

De acordo com a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, a iniciativa «integra a estratégia de adaptação às alterações climáticas e visa aumentar a resiliência urbana face aos fenómenos de calor extremo, criando espaços mais seguros, confortáveis e acessíveis para a população», contribuindo «para a redução dos impactos das temperaturas extremas, promovendo simultaneamente uma melhor qualidade de vida, biodiversidade e sustentabilidade ambiental».

Outra das intervenções estruturantes consiste na renaturalização do Barranco do Poço dos Frangos até ao Pelame, com a criação de um corredor verde de cerca de dois quilómetros e meio e aproximadamente 12 hectares de espaço público natural, valorizando a biodiversidade, a linha de água e o património existente.

A iniciativa inclui também a criação de uma rede de abrigos climáticos, que integra espaços verdes qualificados, edifícios públicos climatizados e percursos pedonais sombreados. A rede será ativada em períodos de calor extremo, assegurando, de acordo com o município, «uma resposta de proximidade dirigida sobretudo à população mais vulnerável, nomeadamente pessoas idosas».

O presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, diz tratar-se de um «investimento estruturante para o futuro da cidade, permitindo aumentar a resiliência às alterações climáticas, melhorar a qualidade dos espaços públicos e promover uma cidade mais verde, saudável e sustentável».

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