A iniciativa, organizada pela Artmoz, decorrerá entre 2026 e 2027 e assume como eixo central a «EcoCultura», um conceito que procura cruzar criação artística com sustentabilidade e identidade territorial e que se irá desenvolver em torno de três vetores fundamentais: arte, ambiente e ruralidade.
Mais do que uma sucessão de exposições, a bienal propõe um modelo de imersão no território. No plano artístico, prevê «a participação de artistas nacionais e internacionais» e «a realização de residências artísticas em quatro cidades do Alentejo — Beja, Estremoz, Évora e Portalegre —», com um desfecho comum: «um momento final de mostra das obras realizadas, após a imersão dos artistas no território e o seu envolvimento com as comunidades locais».
A vertente ambiental surge como outro dos pilares estruturantes, com «a realização de conferências, workshops e momentos de interação com escolas, municípios e centros culturais», bem como o «envolvimento dos artistas residentes na promoção de práticas sustentáveis».
Já no domínio da ruralidade, a organização aposta numa leitura contemporânea do Alentejo, promovendo «a valorização dos elementos culturais endógenos» e o «estímulo de criações artísticas que reflitam sobre a identidade regional, do legado árabe até à contemporaneidade», incluindo ainda «exposições que combinem tradição e inovação».
A apresentação em Badajoz será acompanhada pela inauguração da exposição “DeVAGAR Entre Bienais”, que reúne «obras de mais de 50 artistas que participaram nas edições de 2025 e 2023» e dá a conhecer o acervo acumulado pela bienal. No mesmo momento, refere a Artmoz, «será feita a introdução do Bacro como peça de arte e de ligação entre as artes e os artistas», numa sessão que inclui também um apontamento musical com Sergio Galoh e Nelson Conde.
A escolha de Badajoz como palco da estreia não é indiferente. A organização sublinha a crescente articulação com Espanha e a inserção da bienal em redes culturais mais amplas, numa altura em que procura afirmar-se como projeto estruturante no sul da Península Ibérica.
A exposição ficará patente ao público até 14 de maio, prolongando no tempo o primeiro momento público da BIALE_27.
Para esta nova edição, o objetivo é reforçar a presença territorial, com iniciativas previstas não só em Estremoz, mas também em Beja, Évora e Portalegre (Ponte de Sor), e integrar-se na dinâmica da Évora 27 – Capital Europeia da Cultura.
O percurso das edições anteriores sustenta a ambição da organização. Em 2023 e 2025, a bienal contou com «mais de duas centenas de artistas» de vários países e registou «cerca de 4600 visitantes» em Estremoz, consolidando um modelo que cruza internacionalização com enraizamento local.
Carlos Godinho, presidente da Artmoz e diretor artístico da bienal, faz um balanço positivo do percurso já realizado, sublinhando que foram atingidos «os objetivos» definidos pela organização. «Conseguimos ter uma grande mostra de arte portuguesa e estrangeira no Parque de Exposições [em Estremoz], no Museu Berardo, Centro Ciência Viva e Adega Vila Santa – João Portugal Ramos», afirma, acrescentando que «isso orgulha-nos a nós e a todos os estremocenses e alentejanos».












