Os resultados do projeto de digitalização, desenvolvido entre 2022 e 2026, foram apresentados na BNP, em Lisboa, numa sessão que assinalou a conclusão do investimento do PRR nas Redes Culturais e Transição Digital.
O contrato previa inicialmente um investimento de 7,4 milhões de euros, com o financiamento final a atingir os 7.712.800 euros.
Segundo a diretora de Serviços de Coleções Especiais da BNP, Dália Guerreiro, o projeto abrangeu mais de 11 tipologias documentais, entre cartografia, iconografia, impressos, manuscritos, microfilmes, música e periódicos, estes últimos entre as coleções mais consultadas.
Para executar o projeto foi criada de raiz na Biblioteca Nacional uma sala destinada a receber os originais e os equipamentos de digitalização, tendo o trabalho atingido uma média de cerca de 90 mil imagens por dia.
Só na área da música, cuja coleção da BNP é uma das mais importantes em Portugal, foram catalogados mais de 27.500 documentos, num processo que envolveu especialistas de diferentes áreas, entre os quais musicólogos e instrumentistas.
A responsável pela área da música, Sílvia Sequeira, explica que as coleções de música e iconografia da BNP reúnem mais de 200 mil espécies de manuscritos musicais, dos séculos XIII a XVII, e mais de 117 mil espécies de documentos iconográficos, tendo sido ainda catalogados, no âmbito do projeto, 20.116 cartazes da coleção de iconografia.
Nos reservados da Biblioteca Nacional, a digitalização incidiu sobre as coleções de códices e manuscritos avulsos, cobrindo sete séculos de cultura portuguesa escrita, entre os séculos XIV e XX.
O processo permitiu também intervir em documentos que se encontravam fragmentados ou danificados ou apresentavam restauros antigos que impediam a sua digitalização. Em alguns casos foi necessário remover intervenções anteriores, como costuras efetuadas em zonas rasgadas das folhas que acabavam por ocultar informação escrita, e proceder a novos trabalhos de conservação e restauro antes de os documentos poderem ser digitalizados.
Da Coleção Pombalina, que reúne documentação relacionada com a administração portuguesa durante o período do Marquês de Pombal, foram digitalizados mais de 17 mil fólios.
A digitalização destina-se à disponibilização dos documentos online, através da Biblioteca Nacional Digital e do arquivo digital, permitindo simultaneamente reduzir o manuseamento dos originais.
Dália Guerreiro salienta que a preservação digital não substitui nem concorre com a conservação dos documentos físicos, considerando que o projeto deixa também na instituição conhecimentos adquiridos e metodologias testadas, para futuras utilizações. «O final do PRR não é o fim de um processo, é o início de uma nova etapa», afirma, acrescentando que «há mais documentos para digitalizar».
Na sessão de encerramento, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, destaca a superação da meta inicialmente estabelecida e considera que a digitalização constitui simultaneamente uma forma de proteger o património e de democratizar o acesso às coleções, frisando que «a missão essencial desta instituição permanece: preservar a nossa memória coletiva e garantir que possa ser conhecida, estudada e transmitida às novas gerações».
A ministra salienta ainda que a existência de cópias digitais constitui uma garantia adicional perante «uma situação extrema», como incêndios, inundações ou a degradação dos suportes físicos pela passagem do tempo. «Não substitui o original, mas protege aquilo que o original contém», afirma, defendendo que a digitalização permite também que documentos anteriormente acessíveis apenas presencialmente possam ser consultados por investigadores, estudantes e leitores em qualquer parte do país ou do mundo.
«A transformação digital é também uma oportunidade para aumentar a presença e a visibilidade da cultura portuguesa no mundo», sublinha Margarida Balseiro Lopes, para quem a ligação do Registo Nacional de Objetos Digitais à Europeana permitirá também aumentar a presença e a visibilidade internacional do património bibliográfico português.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa
Fotografia: Biblioteca Pública de Évora. © Nuno Veiga/Lusa/Arquivo










