Bloco de Esquerda exige reabertura da radioterapia no hospital de Évora

A Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda exige a reabertura da Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo, encerrada desde 1 de junho, e diz que o modelo de concessão a privados não dá garantias aos doentes oncológicos do Alentejo.

Em comunicado, o Bloco desafia o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central a reabrir o serviço, «adotando as necessárias medidas» para que a unidade de saúde «cumpra de forma autónoma as suas responsabilidades na prestação dos cuidados de radioterapia» e que, «de forma transparente, informe doentes, trabalhadores e público em geral das medidas que pretende adotar».

O Bloco de Esquerda manifesta «enorme preocupação quanto à situação dos doentes oncológicos submetidos a tratamentos de radioterapia que, para além das dificuldades físicas e psicológicas que a doença lhes impõe, se veem obrigados, há meses, a deslocações para poder receber os tratamentos essenciais à sua condição», sem que «seja prestada informação pública sobre a reabertura» deste serviço.

Segundo o partido, «desde 1 de junho, com o encerramento do serviço de radioterapia do Hospital do Espírito Santo de Évora, centenas de doentes oncológicos continuam a ser obrigados a deslocações de muitos quilómetros para poderem prosseguir os tratamentos, em Santarém, Faro ou Lisboa, primeiro por força da renovação de equipamento e agora, aparentemente, por problemas na operação».

A ULS do Alentejo Central — recorda o comunicado — «suspendeu temporariamente os tratamentos de radioterapia para proceder à substituição dos dois equipamentos de tratamento e dos aceleradores lineares, investimento público ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estimado em quatro milhões de euros, pese embora o serviço estar concessionado há anos à Joaquim Chaves Oncologia S.A.».

O Bloco de Esquerda acrescenta que, «já em fevereiro de 2026», tinha sido lançado «um novo concurso para nova concessão do serviço, por quatro anos prorrogável por mais um, no montante de 18,6 milhões de euros». Esse concurso, «a que concorreu também a Joaquim Chaves SA, foi ganho pela Altrys Portugal, empresa de origem espanhola, que já anteriormente havia tido a concessão deste serviço», indica a mesma fonte.

«Ao que se sabe, o concurso terá acabado por ser anulado, alegadamente pelo Tribunal de Contas, sem que se conheçam os fundamentos de tal anulação», lê-se ainda no documento.

O partido chama também a atenção para a situação dos trabalhadores: «é preciso que os postos de trabalho dos técnicos de radioterapia sejam assegurados». Os profissionais da unidade, explica, «apesar de até agora não terem visto afetado o seu contrato de trabalho com a Joaquim Chaves S.A., também não sabem o que o futuro próximo lhes reserva».

Na base da posição assumida está a crítica ao modelo de gestão. «Como o Bloco de Esquerda há anos vem defendendo e como a experiência ao longo dos anos vem demonstrando, a concessão a privados dos tratamentos de radioterapia aos doentes oncológicos do Alentejo não dá garantia de que a Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo cumpra sem sobressaltos a sua função nem dá aos doentes oncológicos e famílias a tranquilidade que é exigida nesta fase tão difícil das suas vidas», conclui o partido.

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