Bloco denuncia riscos ambientais de Campo de Tiro em Alter do Chão

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a decisão de transferir o Campo de Tiro da Força Aérea, atualmente instalado em Alcochete, para o concelho de Alter do Chão, considerando que a medida levanta dúvidas ambientais, legais e de transparência.

Numa pergunta dirigida ao Ministério da Defesa Nacional e ao Ministério do Ambiente e da Energia, o deputado Fabian Figueiredo classifica a decisão como «um passo de enorme gravidade e contornos opacos que exige um escrutínio rigoroso por parte da Assembleia da República» .

O parlamentar sublinha que o território em causa não pode ser encarado como disponível para a instalação de uma infraestrutura militar de grande dimensão, afirmando que «Alter do Chão não é uma folha em branco disponível para a instalação de uma unidade militar de grande escala» .

Na mesma passagem, acrescenta tratar-se de «um ecossistema de elevada sensibilidade ecológica, integrado na Rede Natura 2000», onde subsistem espécies ameaçadas como a abetarda, o sisão, o alcaravão e a águia-caçadeira.

O Bloco de Esquerda considera que a instalação de um campo de tiro numa área com estas características é incompatível com a conservação da biodiversidade, alertando para o impacto do «ruído das aeronaves, as detonações, a movimentação de tropas e a produção de resíduos militares» .

O partido aponta ainda uma «contradição política» com o Plano Diretor Municipal de Alter do Chão, que classifica estes terrenos como áreas de elevada sensibilidade ecológica e limita atividades que possam comprometer a biodiversidade.

Na pergunta entregue na Assembleia da República, é também criticada a forma como o processo foi conduzido, com o Bloco a referir «surpresa total» por parte de organizações ambientais e a ausência de debate público ou de referência ao projeto nas atas de órgãos autárquicos .

O deputado acusa ainda o Governo de adotar «uma visão puramente instrumental do Alentejo, tratando-o como um depósito de infraestruturas indesejadas na área metropolitana de Lisboa» .

No documento, o partido defende que «não se pode proteger o ambiente por zonas de conveniência» e considera que a instalação do campo de tiro em Alter do Chão «é um erro estratégico que terá consequências irreversíveis para a biodiversidade nacional» .

Perante estas preocupações, o Bloco de Esquerda questiona o Governo sobre os critérios que levaram à escolha de Alter do Chão, a existência de estudos de impacto ambiental, o cumprimento das normas da Rede Natura 2000 e do Plano Diretor Municipal, bem como a eventual consulta ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Roelof-Jan-Gort/D.R.

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