Borrego mais barato na Páscoa devido ao excesso de oferta

Nesta Páscoa, época em que a carne de borrego não pode faltar na mesa dos portugueses, o preço dos animais produzidos no Alentejo «caiu ligeiramente» em comparação com o ano passado.

O preço «caiu ligeiramente», pois um borrego de 30 quilos «no ano passado estava nos 160 euros» e, agora, «baixou para 150», afirmou a coordenadora do Agrupamento de Produtores Pecuários do Norte Alentejano – Natur-al-Carnes, Maria Vacas de Carvalho.

A responsável deste agrupamento, com cerca de 150 produtores de ovinos, relatou que o borrego «continua um produto caro», ainda que, em comparação com anos anteriores, se mantenha o volume de vendas.

Tiago Perloiro, secretário técnico da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Merina (Ancorme), confirma uma quebra na ordem dos 10 euros, admitindo que até esperava que «o mercado tivesse caído mais», dados os comentários que existiam.

«A produção pecuária tem as suas parições e as suas produções preparadas para vender em duas alturas principais, Natal e Páscoa, e, portanto, há muito gado no campo, o que obviamente faz baixar o preço da procura», apontou.

O dirigente associativo contou que, nas vésperas desta Páscoa, a Ancorme e a Associação dos Jovens Agricultores do Sul, ambas com sede em Évora, organizaram dois leilões, nesta cidade, em vez de apenas um, como habitualmente, «precisamente para ir ao encontro da procura do mercado».

No primeiro leilão, «tivemos 2.012 borregos» e, no segundo, «tivemos 2.686», disse Tiago Perloiro, explicando que «o campo está cheio» de animais e que «os operadores sabem disso e mobilizam-se para fazer com que os preços baixem».

Mais a sul, o preço do borrego também «está em quebra», segundo diz António Lopes, presidente do Campo Branco – Agrupamento de Produtores Agropecuários, sediado em Castro Verde, mas aqui a queda é ainda mais acentuada.

Na zona do Campo Branco, que abrange os concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Aljustrel e Mértola, o preço de um borrego com 30 quilos ronda «os 140 euros», quando «há um mês e meio ou dois meses valia 165 ou 170 euros», indicou.

Segundo António Lopes, a quebra deve-se ao menor volume de animais enviados para exportação, nomeadamente para Israel, uma vez que, «devido à guerra, não tem havido barcos» e, com isso, «os engordadores estão cheios, o que faz com que os preços caiam».

Já o secretário técnico da Ancorme revela que, nos leilões realizados no mês passado, em Évora, não se notou qualquer alteração nos preços dos animais devido ao conflito no Médio Oriente.

«O mercado do Mediterrâneo tem feito com que os preços, quer dos bovinos, quer dos ovinos, estejam absolutamente extraordinários e tenho ideia de que continua muito interessante, mas caiu ligeiramente», sublinha.

Também a coordenadora do Agrupamento de Produtores Pecuários do Norte Alentejano – Natur-al-Carnes não vê «assim uma grande diferença» no preço dos borregos devido ao «fator da guerra ou do [aumento do custo do] petróleo».

O presidente do Campo Branco afiança que o mercado nacional também «pouco mexeu» nesta Páscoa, uma vez que as grandes superfícies «optaram por se abastecer no mercado exterior», porque «não conseguem acompanhar os preços» em Portugal.

António Lopes acrescenta que o efetivo de ovinos nesta região alentejana também sofreu «uma quebra enorme» nos meses de outono e inverno, devido à doença da língua azul e ao mau tempo, que causaram elevada mortalidade nos rebanhos.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Nuno Veiga/Lusa/Arquivo

Uma resposta

  1. Os produtores têm de dar saída aos animais, não podem ficar com eles a espera que acabe a guerra, por isso tem de vender pelo que está.

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