Treze concelhos dos distritos de Évora e Beja estão ainda em perigo máximo de incêndio rural (o nível mais elevado numa escala de cinco), à semelhança do que aconteceu na segunda-feira, juntando-se a cerca de uma centena de concelhos do interior norte e centro do país. O Governo prorrogou a situação de alerta, em vigor desde sexta-feira, até às 23h59 de quinta-feira nos distritos de Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Beja, Santarém, Portalegre, Évora e Faro, justificando a decisão com «a manutenção da onda de calor» e com «previsões meteorológicas ainda de grande adversidade para os próximos dias nos distritos do interior do país».
A declaração de alerta implica a proibição de acesso, circulação e permanência em espaços e caminhos florestais, de realização de queimadas e queimas, incluindo as autorizadas, e de trabalho em espaços florestais com maquinaria, à exceção do combate a incêndios. Ficam igualmente proibidos trabalhos em espaços rurais com motorroçadoras de lâminas ou discos metálicos, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal. De fora das restrições ficam trabalhos associados à alimentação de animais e cultivo em zonas de regadio ou sem florestas, a extração de cortiça por métodos manuais e a extração de mel, e trabalhos de construção civil inadiáveis com mitigação do risco. É ainda permitida, entre o pôr do sol e as 11h00, a colheita de culturas agrícolas com máquinas e operações de exploração florestal, desde que comunicadas ao Serviço Municipal de Proteção Civil competente.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, esteve esta terça-feira no distrito de Beja, com passagens por Castro Verde e Vidigueira, onde prestou declarações sobre o balanço dos últimos dias. Mais de 15.000 hectares arderam em Portugal entre quarta-feira e domingo, numa área ardida total de 30.155 hectares registada nos 4.592 incêndios florestais contabilizados este ano pelo Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR). «Apesar dos 15.000 hectares, que é muito, é terrível do ponto de vista da riqueza, da biosfera, climático, é muito mau, mas a informação que nós tínhamos é que podia ter ocorrido uma calamidade», disse Luís Neves, salientando que tal não aconteceu graças ao trabalho dos bombeiros, que conseguiram debelar «cerca de 95%» das ignições no ataque inicial.
O ministro defendeu ainda a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, anunciada na sexta-feira pelo primeiro-ministro Luís Montenegro a par de acordos bilaterais com Espanha e Marrocos, afirmando que o pedido foi «deferido logo na primeira vez» por Bruxelas por cumprir «um critério muito apertado de fatores e de indícios». «Se aqui ou acolá pecámos por algum excesso, é preventivo», afirmou, rejeitando críticas à antecipação do pedido. Luís Neves reconheceu ainda que a desorganização do território florestal contribuiu para a dimensão da área ardida. «Há um caminho muito grande a ser feito», admitiu, questionando até que ponto se deve manter o atual «status quo» quando proprietários que «não se conhecem» e «não cuidam do território» põem em causa a segurança coletiva.
Para esta terça-feira, o IPMA prevê céu pouco nublado ou limpo no continente, com pequena descida de temperatura nas regiões Norte e Centro. As mínimas variam entre os 15 graus em Viana do Castelo e os 22 em Portalegre e Faro, e as máximas entre os 23 em Aveiro e Porto e os 40 em Évora.
Texto: Alentejo Ilustrado c/Lusa
Fotografia: D.R.










