Segundo a companhia, trata-se da 57.ª produção do grupo e apresenta-se como uma construção dramatúrgica fragmentada.
A Bruxa Teatro explica que o espetáculo “desenvolve-se como um quebra-cabeças, numa desordem apenas aparente, em que a composição de cenas alternadas permite contar a mesma história de duas perspetivas diferentes”, através de “dois casais ineptos, inaptos, divergentes”.
A peça parte de um texto do dramaturgo catalão Sergi Belbel, com tradução de Mathilde Ferreira Neves. A encenação, cenografia e figurinos são assinados por Figueira Cid. O elenco integra Apollo Neiva, Danilsa Gonçalves, Duarte Banza e Matilde Magalhães.
A história centra-se num casal que acredita poder resolver os seus problemas conjugais através da compra de uma cama nova. No entanto, perante o novo objeto, surgem dificuldades inesperadas. “Face à cama de dois metros por dois, tão grande quanto os seus problemas conjugais, são confrontados com a sua própria impotência”, descreve o texto de apresentação da peça.
“Uma sucessão de obstáculos impede o casal de inaugurar, desde logo, o esplêndido leito conjugal. Fatalidade do destino, talvez…”, acrescenta a sinopse, referindo que, perante essa situação, os dois decidem arriscar uma solução: “Recorrem, então, a dois amigos (desconhecidos entre si) para partilharem o seu culto ao tálamo e estrearem a cama no seu lugar, o que rapidamente se transforma num acontecimento que roça o fetichismo e o absurdo.”
A construção dramatúrgica assenta numa narrativa fragmentada e não linear. A ação é “decomposta em 38 cenas, apresentadas numa ordem diferente da sequência dos acontecimentos”, sendo que algumas situações se repetem, mas ganham “um significado diferente de acordo com o contexto que já conhecemos”.
A dramaturgia constrói assim um jogo narrativo centrado na relação conjugal e no simbolismo do leito. Trata-se, segundo a companhia, de uma “construção sagaz de um enigma (o casal, ou será o tálamo?), assente numa situação vaudevilesca, em que o humor/ridículo acentua a tragédia”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: A Bruxa Teatro/D.R.












