Grândola questiona avaliação ambiental da Mina da Lagoa Salgada

O presidente da Câmara de Grândola afirma que o Município recorrerá aos "instrumentos que tenha ao seu dispor para defender os interesses das populações” no processo da Mina da Lagoa Salgada. 

No âmbito da consulta pública do projeto, agora reformulado, Luís Vital Alexandre reuniu com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para expor as suas preocupações relativamente ao processo em curso.

Segundo o autarca, a ministra mostrou-se sensível à posição da Câmara de Grândola, embora tenha deixado claro que, nesta fase, a decisão não é de natureza política. “A ministra do Ambiente acompanha as preocupações do Município relativamente ao projeto da Mina da Lagoa Salgada, muito embora considere que este não é o momento da decisão política. Nesta fase do projeto, a decisão será da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacte Ambiental e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)”, afirma.

Luís Vital Alexandre acrescenta que “o momento da decisão política foi lá atrás, antes do licenciamento ambiental e foi um momento em que a Câmara de Grândola optou pela omissão”, tendo ainda transmitido à ministra que o Município “de Grândola “recorrerá aos instrumentos que tenha ao seu dispor para defender a sua posição e os interesses das populações, seja qual for a decisão constante do relatório da Comissão de Avaliação”.

Durante a audiência foram igualmente abordados os impactos a nível da água e dos recursos hídricos dos diversos projetos anunciados para a região. “Ainda que a APA venha assinalando, na análise dos diversos projetos, esta questão com especial cuidado, transmitimos à ministra a nossa preocupação face à ausência de uma análise global sobre a gestão deste recurso”, referiu, acrescentando que “não existe um estudo sobre as origens da água, sobre a sua globalidade” e que “a análise caso a caso que tem vindo a ser feita não aborda os efeitos cumulativos”.

O autarca deixou ainda um apelo para “que possa ser feita uma análise mais global e que vise, inclusivamente, garantir que a água para abastecimento humano está a ser preservada”.

Outro dos temas discutidos foi o da acessibilidade às praias, a propósito de um relatório produzido pela APA e que, Luís Vital Alexandre, “é tardio”, pois essa análise “deveria ter sido feita aquando da análise dos diversos projetos turísticos”.

O presidente da Câmara sublinhou ainda a necessidade de clarificar responsabilidades entre entidades, afirmando que “as praias não são privadas, mas a acessibilidade às praias, de uso balnear ou não, deveria ter sido acautelada aquando da análise dos projetos e da sua aprovação”.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Arquivo/D.R.

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