A ex-deputada do PCP, natural de Estremoz, que liderava a direção do museu desde 2020, indicou que a EGEAC lhe comunicou hoje que a comissão de serviço não seria renovada, com efeitos a partir de 1 de abril.
“Durante os últimos cinco anos, as atividades do Museu do Aljube envolveram uma média de 45 mil visitantes por ano, totalizando um número superior a 270 mil visitantes”, refere a responsável .
Também o diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão, confirmou a sua não recondução, numa altura em que a EGEAC está a realizar um “processo de avaliação conjunta” dos seus equipamentos culturais em Lisboa.
“O Conselho de Administração da EGEAC está a desenvolver um processo de avaliação conjunta com o objetivo de decidir a recondução ou a não recondução dos atuais dirigentes”, refere a empresa, acrescentando que “em breve serão comunicadas as alterações que venham a decorrer deste processo”.
Num balanço do trabalho realizado no Museu do Aljube, Rita Rato afirmou sentir-se “muito satisfeita com o trabalho desenvolvido” ao longo dos quase seis anos de direção.
O museu funciona no antigo edifício do Aljube, que foi prisão política durante 37 anos, entre 1928 e 1965, com celas coletivas e de isolamento que ainda hoje podem ser visitadas como memória da repressão. O espaço museológico foi instalado em 2015 naquela antiga prisão para presos políticos, com o objetivo de preservar a memória da resistência à ditadura e promover a reflexão sobre a luta pela liberdade e pela democracia.
Segundo Rita Rato, ao longo deste período foram realizadas 21 exposições temporárias, o museu recebeu mais de 45 mil estudantes e 940 escolas e promoveu ações de formação para professores, presenciais e online, envolvendo 2534 educadores.
A responsável destaca ainda cerca de nove mil participantes em visitas orientadas promovidas por associações e outras entidades, bem como o acolhimento de 153 iniciativas organizadas por parceiros externos e a edição de oito livros.
Entre os projetos desenvolvidos, refere também as exposições itinerantes, que levaram “cinco grandes áreas temáticas dos direitos humanos a mais de 170 espaços culturais e educativos no país e estrangeiro, envolvendo milhares de participantes”.
Rita Rato assinala ainda a criação do arquivo digital do museu, “com disponibilização de mais de 14 mil documentos online”, bem como a recolha de cerca de 45 testemunhos de resistentes antifascistas e o desenvolvimento do projeto Museu Acessível.
Este projeto permitiu, segundo a diretora cessante, disponibilizar “pela primeira vez, a possibilidade de visitas com intérprete de língua gestual e audiodescrição, bem como recursos dirigidos a pessoas com outras necessidades específicas”.
Segundo acrescenta, “foram quase seis anos de árduo trabalho de que me orgulho, fazendo deste museu um espaço de educação para os direitos humanos, democracia e liberdade”.
Rita Rato agradece ainda o “excelente trabalho” da equipa do museu, composta por 13 pessoas, bem como a colaboração de parceiros culturais, académicos e educativos nacionais e internacionais.
A antiga prisão do Aljube acolheu, ao longo do período da ditadura, milhares de opositores ao regime, entre políticos, escritores e artistas, como Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, Manoel de Oliveira, Agostinho Neto, Palma Inácio, Emídio Guerreiro, João Soares e Mário Soares.
O Museu do Aljube dispõe atualmente de um centro de documentação dedicado à história da repressão e da resistência à ditadura, desenvolvendo atividades de investigação, preservação documental e recolha de testemunhos de antigos resistentes.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: José Sena Goulão/Lusa/Arquivo













Uma resposta
Mais uma machadada na competência. Quem faz bem e é competente tem como prémio saltar fora!
A justificação não poderia ser mais lacónica. Não era de esperar outra coisa do Moedas mas é muito triste e revoltante. Eu tenho seguido nas redes sociais o trabalho do Museu e é bastante interessante o trabalho que têm feito da equipa liderada por esta diretora.