Câmara de Mértola contesta escolha de Oeiras para centro da caça

A Câmara de Mértola contestou hoje a possível escolha de Oeiras para acolher o Centro de Competências da Caça e Biodiversidade, defendendo que o projeto deve ser instalado no Alentejo, onde considera existirem condições únicas.

O município manifestou «estranheza e indignação» pela forma como teve conhecimento da intenção do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) de instalar o Centro de Competências da Caça e Biodiversidade em Oeiras.

De acordo com o presidente da autarquia, Mário Tomé, o instituto informou o município, em abril, da intenção de reativar o centro, referindo estar previsto que funcione naquele concelho.

«Se fosse um concelho com atividade cinegética e com provas dadas no setor da caça, tínhamos que compreender», afirmou, acrescentando: «Ser em Oeiras já nos leva a ter mais dificuldade em aceitar».

A pretensão levou a autarquia a apresentar, a 17 de abril, uma exposição ao INIAV, na qual sustentou que, «considerando o percurso, as condições instaladas e o ecossistema territorial existente», a sede física do Centro deveria localizar-se em Mértola.

Trata-se, segundo o município, de um «território que reúne condições únicas ao nível dos habitats, da experimentação em contexto real, da capacidade técnico-científica instalada e da articulação efetiva entre conservação da natureza, setor cinegético e desenvolvimento territorial».

Na mesma exposição, a câmara recorda iniciativas desenvolvidas no setor, como a organização das Jornadas da Caça e da Feira da Caça, ou a promoção do Projeto de Recuperação da Lebre-ibérica e do Coelho-bravo.

O município destaca ainda o trabalho da Estação Biológica de Mértola (EBM), «enquanto Centro de Validação e Transferência de Tecnologia nas áreas da biodiversidade, agroecologia e cinegética», com «projetos estruturantes» como a cátedra Caça e Biodiversidade.

«Neste momento, o maior número de doutorados e investigadores do país a trabalhar em caça estão em Mértola», sublinha Mário Tomé, defendendo que a localização do Centro da Caça neste território «permitiria ancorar» a Estação Biológica «num verdadeiro laboratório vivo, potenciando a sua eficácia, relevância e ligação ao território».

Além disso, sustenta que a opção por Mértola constituiria «uma opção coerente com os objetivos estratégicos» desta resposta, reforçando «a sua credibilidade e eficácia» e afirmando «de forma clara, a centralidade dos territórios rurais na resposta aos desafios atuais e futuros da biodiversidade e da atividade cinegética em Portugal».

Na exposição enviada ao INIAV, a câmara municipal defende ainda a sua integração na comissão instaladora do Centro, o que permitiria «integrar o contributo de outros municípios» que «têm já um trabalho conjunto consolidado na promoção do setor».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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