Nascido a 9 de abril de 1945, Camol d’Évora morreu ontem durante a tarde, conforme divulgado pelas redes oficiais associadas ao artista: “Embora os nossos corações fiquem entristecidos com a sua partida, nossa alma sabe que agora descansa em paz sem as maleitas que o corpo carregava”.
O comunicado, dirigido a amigos, ex-alunos e familiares, sublinha o impacto pessoal e artístico de Camol nas várias comunidades por onde passou e ressalta a sua ligação profunda ao Alentejo, a região que mais o inspirou ao longo da carreira: “Deixa muitas memórias pelas ruas que percorreu, por Angola, Brasil e especialmente pelo seu querido Alentejo. A maior fonte de inspiração para a sua arte”.
“Viveu como uma alma livre e sendo verdadeiro aos seus ideais, que cada um que leia esta mensagem se lembre hoje dos melhores momentos que partilharam”, prossegue a mensagem.
Ao longo da sua vida, Camol d’Évora construiu um percurso artístico diversificado. Numa pequena nota autobiográfica, o próprio descreveu-se como escultor, pintor, crítico de arte e professor de pintura. Assumiu-se como “cidadão do mundo”, desde logo por ter vivido em vários continentes e países, nomeadamente em Angola e no Brasil, onde iniciou a sua vida profissional ligada à indústria têxtil.
Em Angola, foi co-fundador do Grupo Cunene, um colectivo de artistas angolanos, e integrou o Grupo de Artes Plásticas José Malhoa, que reunia criadores angolanos e portugueses, marcando uma fase de intensa interacção cultural entre diferentes geografias e tradições artísticas.
Regressado a Portugal, fixou-se em Évora, onde manteve um atelier e uma escola de arte, por onde passaram inúmeras gerações de artistas.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.












