A posição foi reafirmada numa reunião entre a federação socialista e o movimento dedicada à análise do processo anunciado pelo Ministério da Defesa para a instalação, em Alter do Chão, de uma infraestrutura militar com uma área estimada de 7.500 hectares.
A Federação Distrital de Portalegre do PS afirma que mantém «a sua oposição à instalação do novo campo de tiro da Força Aérea» no Alto Alentejo e que vai prosseguir a intervenção política para exigir «a divulgação dos estudos técnicos que sustentaram a escolha desta localização e a avaliação das alternativas existentes».
A fundamentação técnica da escolha de Alter do Chão foi, segundo a mesma fonte, uma das principais questões levantadas na reunião. A federação considera «indispensável conhecer os critérios utilizados pelo Ministério da Defesa e pela Força Aérea, as localizações alternativas que tenham sido consideradas e a respetiva análise comparativa».
Para o PS de Portalegre, «a discussão deve ser feita com base no interesse das populações de Alter do Chão e do Alto Alentejo e na avaliação rigorosa das consequências económicas, sociais e ambientais da instalação desta infraestrutura».
A federação defende igualmente que «devem ser avaliadas soluções de cooperação e partilha de capacidades antes de avançar para uma infraestrutura desta dimensão», lembrando que a abordagem Smart Defence da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) «valoriza precisamente soluções multinacionais, a cooperação e a obtenção de economias de escala no desenvolvimento de capacidades de defesa».
Na reunião foram também analisadas as consequências que a instalação do campo de tiro poderá ter sobre as explorações agrícolas e pecuárias abrangidas pela área prevista e sobre o emprego e a atividade económica associados. Segundo os elementos apresentados pelo movimento, poderão ser afetadas mais de 50 explorações agrícolas e pecuárias, estando em causa aproximadamente 100 postos de trabalho diretos.
O movimento estima ainda um impacto económico anual superior a 10 milhões de euros, considerando a atividade agropecuária, os apoios agrícolas, os salários e a economia local. Para a federação socialista, estes números e os restantes impactos económicos «devem ser objeto de avaliação pública e tecnicamente fundamentada antes da concretização de uma decisão com esta dimensão territorial».
No plano ambiental, o PS de Portalegre defende «uma avaliação rigorosa dos efeitos da infraestrutura, incluindo o impacto sobre os solos, os ecossistemas, a atividade agropecuária e o ruído».
A federação vai defender a aceleração das audições na Assembleia da República sobre o processo de instalação do campo de tiro e considera necessária «a apresentação da documentação técnica que permita conhecer os critérios que conduziram à escolha de Alter do Chão».
Os socialistas pretendem ainda acompanhar a abordagem do assunto junto das instituições europeias e de organizações da área ambiental, bem como «manter a articulação com associações e movimentos da sociedade civil envolvidos neste processo». O acompanhamento continuará também no plano intermunicipal, designadamente através do trabalho desenvolvido no âmbito da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Alentejo.










