Segundo o IPPortalegre, o convite surgiu “no âmbito do trabalho desenvolvido sobre conservação de recursos genéticos e melhoramento de coentro desenvolvido na Escola Superior de Biociências de Elvas, desde 2000, a partir de sementes tradicionais recolhidas junto de agricultores em todo o Alentejo”.
As sementes recolhidas foram “estudadas, avaliadas e submetidas a um programa de melhoramento – aprovado pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária – com vista à sua valorização”. No decurso deste trabalho, foram enviadas sementes para o Banco Português de Germoplasma Vegetal, tendo sido selecionadas quatro variedades já aprovadas pelo Catálogo Nacional de Variedades, designadas Alcácer, Assunção, Campo Maior e Amareleja.
De acordo com a mesma fonte, numa fase inicial, a investigação teve como critérios “a produção de folhas e a produção de sementes”. Atualmente, as investigadoras continuam a trabalhar com estas espécies, mas com objetivos orientados para a Ecologia, nomeadamente “produzir plantas em ciclos mais curtos, com maior número de sementes e de flores para utilização em misturas de cobertos vegetais para atração de polinizadores”.
O contacto prolongado com produtores tradicionais do Alentejo permitiu ainda reunir “um acervo de informação bastante relevante sobre os saberes tradicionais associados ao cultivo e utilização dessas espécies, na gastronomia, em usos medicinais ou noutros”, no domínio da Etnobotânica.
O trabalho desenvolvido ao longo de 25 anos tem como finalidade “disponizar, aos agricultores, variedades de plantas aromáticas melhor adaptadas por terem evoluído nas nossas condições de clima, solo e cultivo”, mas também assegurar “o registo do conhecimento tradicional, divulgação da informação recolhida e da investigação produzida no âmbito dos coentros do Alentejo”.
O documentário integra a série Die Welt von Gewürze (“O Mundo das Aromáticas”), dedicada à divulgação de plantas aromáticas em diferentes países.
Este episódio centra-se, entre outros temas, “na relevância dos coentros na cultura e gastronomia portuguesas”, bem como “no esforço para a preservação das variedades autóctones”, desenvolvido pelas investigadoras do Politécnico de Portalegre, na Escola Superior de Biociências de Elvas, ao longo dos últimos 25 anos.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.











