CAP considera acordo UE-Mercosul “globalmente positivo” para Portugal

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é “globalmente positivo” para a agricultura portuguesa, sublinhando que tem mais vantagens do que desvantagens, apesar dos riscos para alguns sectores.

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi assinado este sábado na capital do Paraguai, criando assim a maior zona de livre-comércio do mundo, após 25 anos de negociação.

Nos termos do acordo serão eliminadas tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

“Não estamos interessados em fazer política ou campanhas eleitorais e recusamo-nos a ser instrumentalizados”, diz o presidente da CAP. Álvaro Mendonça e Moura assinala que a Confederação quer “defender os seus associados e os agricultores”, lembrando que estes são “quem cá fica no terreno, todos os dias, a lidar com os problemas da agricultura”.

Considerando que o acordo do Mercosul “é globalmente positivo” para a agricultura portuguesa, Álvaro Mendonça e Moura salienta que este pacto “tem mais vantagens do que desvantagens”, mas também “tem riscos” para o sector.

“Temos sectores que serão claramente ganhadores, como o vinho, azeite, frutas e queijos”, enquanto o acordo “pode ter impacto negativo no setor das carnes”, que será controlável por vários motivos, entre os quais as cláusulas de salvaguarda, sublinha.

Admitindo ser necessário promover o esclarecimento e diálogo entre os agricultores sobre o acordo, Álvaro Mendonça e Moura reconhece que “há uma insatisfação enorme e com toda a razão” no sector, por considerar que “a Comissão Europeia não tem prestado nenhuma atenção à agricultura”.

“A Comissão” – frisa – “parece que começou a dar sinais de querer corrigir algumas coisas, mas é preciso compreender que os agricultores se têm sentido completamente abandonados pela Comissão Europeia”.

O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul. No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.

Em perspetiva, segundo a Comissão Europeia, estão “novas e substanciais oportunidades comerciais para as empresas de toda a UE, impulsionando um aumento estimado de 39% nas exportações anuais para o Mercosul (cerca de 49 mil milhões de euros), ao mesmo tempo que apoia centenas de milhares de empregos na União Europeia”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

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