No Coreto do Jardim Público realiza-se o ciclo 20h27, uma programação diária que, segundo fonte da Évora_27, «atravessa estilos e linguagens alentejanas, portuguesas e internacionais», com «raízes no cante alentejano e nas violas campaniças», navegando «entre tradição e inovação» e dando «visibilidade tanto a expressões do património imaterial — cante, viola campaniça, anedotas — como a vozes renovadas de jovens artistas e colaborações» promovidas pela Capital Europeia da Cultura.
O programa arranca esta terça-feira, dia 23, com cante alentejano protagonizado pelos Cantares d’Évora, pelo Granjarte — Grupo Feminino de Cantares Alentejanos de Granja, de Mourão, e pelo Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo. Na quarta-feira, dia 24, sobe ao coreto a poetisa Alice Neto de Sousa, num recital-colaboração inédito com o baterista eborense Xinês. Na quinta-feira, dia 25, é a vez de La Familia Gitana e António Poppe, num diálogo entre música cigana e a poesia de Camões.
John Romão, diretor artístico da Évora_27, sublinha o significado da presença do projeto na feira, lembrando tratar-se de «um espaço de encontro de culturas e comunidades», no qual a Capital Europeia da Cultura «reafirma a sua missão, ao promover a participação, linguagens e vozes diversas, valorizando o património e abrindo espaço para a experimentação.»
Na sexta-feira, dia 26, a viola campaniça ocupa o palco em registos tradicionais e autorais com Pedro Mestre, Tozé Bexiga e Guilherme Faísco. No sábado, dia 27, actua Marta Pereira da Costa, com a sua guitarra portuguesa. No domingo, dia 28, o programa assume um registo mais descontraído: a tertúlia «Rir com Vagar», organizada pela Associação de Escritores do Alentejo, dedicada a anedotas alentejanas.
Na segunda-feira, dia 29, Maria Reis — distinguida com o Prémio Autores SPA e descrita pela organização como uma artista que «alia a urgência do rock às texturas da campaniça» — sobe ao coreto. Na terça-feira, dia 30, actuam Helena Caldeira e Surma, numa fusão electrónica entre tradição e contemporaneidade. Na quarta-feira, dia 1 de julho, Laz Hay partilha o palco com músicos da Associação Filarmónica Liberalitas Julia.
Na quinta-feira, dia 2, é o novo circo a tomar conta do coreto, com o estremocense João Pataco e a criação «Monstrum». Na sexta-feira, dia 3, Fazel Sapand (voz, rubab e harmónio), Luciana Costa (viola campaniça e percussão) e Mili Vizcaíno (voz e percussão) apresentam um concerto que, segundo a organização, cruza «identidades musicais alentejana, afegã e espanhola». No sábado, dia 4, actua Filipe Sambado, com uma ode ao Vagar alentejano. O ciclo encerra no domingo, dia 5 de julho, com o coletivo Madraça.
Junto ao Jardim das Laranjeiras, o stand da Évora_27 apresenta uma exposição fotográfica, um mural de ideias dedicado aos jovens, jogos tradicionais e um ponto de recolha de memórias, «onde o público é convidado a digitalizar fotografias antigas para integrar uma futura exposição». A organização descreve este espaço como «um convite à partilha intergeracional, à preservação coletiva das memórias do Alentejo e à imaginação radical».
Évora_27 conquistou o título de Capital Europeia da Cultura a 7 de dezembro de 2022, numa nomeação que resultou, pela primeira vez em Portugal, de um concurso entre várias cidades candidatas e de um projeto coletivo regional. Sob o lema «VAGAR, uma outra arte de existência», o projeto propõe, segundo a organização, «um novo paradigma para o mundo, baseado no respeito pelo valor do tempo», assente na «defesa da paz, da democracia, da diversidade e da sustentabilidade ecológica».
Fotografia: «Monstrum», de João Pataco, MAR – Mostra de Artes de Rua, em Sines










