Carlos Pinto de Sá teme mais atrasos nas obras do novo Hospital Central do Alentejo

O presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, diz temer mais atrasos na construção do novo hospital, por alegada falta de respostas do Governo sobre acessibilidades e infraestruturas e supostas dívidas ao empreiteiro.

“Há atrasos sobre atrasos, não há respostas às questões que são colocadas e, portanto, a perspetiva é que a obra continua a atrasar-se”, afirmou o presidente do município (CDU), em declarações à agência Lusa.

Pinto de Sá revelou que a câmara “está a aguardar há um ano” que seja alterado um protocolo assinado com o anterior governo, que permita à autarquia assumir competências pelas expropriações para as acessibilidades e infraestruturas.

Só com este protocolo alterado será possível ao município “avançar com as obras das acessibilidades e da rede de abastecimento de água e saneamento” do Novo Hospital Central do Alentejo (NHCA), salientou, frisando que “os projetos estão prontos”.

Perante a alegada falta de respostas do Governo, o presidente do município indicou que já pediu uma reunião à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para abordar o assunto do novo hospital, sem que tenha obtido, para já, uma resposta.

“Há necessidade de falarmos e eu já pedi, ainda antes deste episódio [da demissão do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central], uma reunião à ministra para poder transmitir as nossas preocupações”, adiantou.

O autarca mostrou-se igualmente apreensivo em relação ao suposto litígio entre o empreiteiro da obra no novo hospital, a ACCIONA, e o Estado por alegadas dívidas.

“Há um litígio com o empreiteiro, que argumenta que o Estado lhe deve milhões de euros ainda do hospital”, referiu Pinto de Sá, acrescentando só ter tido conhecimento do alegado litígio através de contactos que tem mantido com a ACCIONA.

“Queríamos perceber se eles iriam concorrer aos concursos que a câmara irá lançar, quando tiver o protocolo assinado e a garantia de financiamento para os acessos e para a rede de abastecimento de água e saneamento, e, sem entrar em pormenores, o empreiteiro disse-nos que estava preocupado com as dívidas que o Estado tinha”, sublinou.

A conclusão das obras do novo hospital já teve várias datas anunciadas, como o final de 2023 ou início de 2024, final de 2024, fevereiro de 2025, no tempo do Governo do PS, e, agora, primeiro semestre de 2026, com o Governo da Aliança Democrática (AD), constituída por PSD e CDS-PP.

Envolvendo um investimento superior a 200 milhões de euros, o hospital deverá ter 360 camas em quartos individuais – podem ser aumentadas até 487 -, 11 blocos operatórios, cinco postos de pré-operatório e 43 postos de recobro, entre outras valências.

DEMISSÕES SÃO CULPA DO GOVERNO

O presidente da Câmara de Évora culpou ainda o Governo pela demissão da Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) por considerar que atribuiu responsabilidades do novo hospital a “um órgão que não tinha condições”.

“É atirar competências e responsabilidades para cima de um órgão que não tinha condições para tal. E, portanto, compreendo perfeitamente a posição que o Conselho de Administração tomou”, afirmou Carlos Pinto de Sá. Assinalando que já tinha alertado para a existência de problemas nas competências da empreitada, o autarca considerou que este “é mais um episódio” que o deixa “profundamente preocupado”.

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