«Julgo que é evidente para todos, tem faltado humildade política» ao Governo, afirmou o líder socialista, em declarações aos jornalistas em Nisa, no âmbito da «Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça», que está a realizar pelo país.
Segundo José Luís Carneiro, essa situação é visível quando o PSD «faz um congresso para atacar a oposição e não para falar do país» ou com a própria Universidade de Verão deste partido, que está a decorrer em Castelo de Vide.
A universidade do principal partido que sustenta o Governo deveria servir para «transmitir bons valores e bons princípios aos mais jovens», mas não é isso que tem acontecido, segundo Carneiro.
«Quando faz dessa universidade de verão um ataque despudorado às oposições, é um governo, no mínimo, [que] tem falta de humildade democrática e, portanto, [o ex-candidato presidencial apoiado pelo PSD] Luís Marques Mendes pôs o dedo na ferida», afiançou.
Na quarta-feira à noite, num jantar-conferência da Universidade de Verão do PSD, Marques Mendes avisou que não se pode viver em «campanha eleitoral permanente» e pediu aos partidos «humildade democrática» e que olhem para os exemplos de Francisco Pinto Balsemão ou Mário Soares para conseguir alguns entendimentos.
Para o secretário-geral do PS, a palavra de Luís Marques Mendes «foi muito importante», num local «que tinha estado consecutivamente a ouvir ataques à oposição, no fundo o Governo a fazer oposição à oposição, por vezes até de forma pouco diplomática».
E, continuou, «o doutor Luís Marques Mendes o que foi dizer foi que é incompreensível uma linguagem dessa natureza quando, fundamentalmente, é necessário estimular a cooperação para um Governo que está em minoria parlamentar».
Por isso, nesta deslocação a Nisa, onde o presidente da câmara, José Dinis Serra, fez uma apresentação sobre o projeto da ponte internacional que vai ser construída sobre o rio Sever, aproximando o concelho português de Nisa ao espanhol de Cedillo, na Estremadura espanhola, o líder do PS deixou um «recado» ao Governo.
«O Governo contará com o Partido Socialista na Assembleia da República para apoiar e para construir as soluções normativas que permitam executar estes investimentos que são essenciais para a criação de emprego, para a criação de oportunidades e de projetos de vida nestes territórios e nestas regiões», garantiu.
A ponte internacional de Nisa ou a barragem do Pisão, no concelho de Crato, também no distrito de Portalegre, são projetos cuja concretização o PS também apoiará, prometeu José Luís Carneiro.
«São âncoras decisivas para que as mais jovens gerações que vivem nestes territórios tenham oportunidades de vida futura», disse, acrescentando que é este «combate pelas ideias, pelos projetos» que orienta a sua vida política e que dispensa «essa espuma dos dias em que, muitas das vezes, a política parece estar enredada».
O líder do PS deslocou-se ainda ao mercado de Nisa, acompanhado pelo presidente da câmara, mas também por responsáveis regionais do PS, onde conversou com os comerciantes e populares, aos quais foram entregues «brindes», como chapéus, leques ou panfletos do PS e camisolas com o rosto de José Luís Carneiro.
Questionado pelos jornalistas sobre se esta visita teve algum «sabor» a campanha eleitoral, o líder socialista disse entender que não, que faz parte do seu «trabalho político normal» e que os políticos devem ouvir a população, qualificando a entrega do material de propaganda como «um carinho» para as pessoas com quem contacta.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.










