O ministro falava durante a cerimónia de entrega do título digital de exploração das duas novas fábricas do complexo industrial, um investimento de 820 milhões de euros.
«Porque, no final do dia, não basta produzir energia limpa, sendo necessário transformá-la em valor industrial, em exportações, em emprego qualificado», afirmou Castro Almeida, acrescentando que, «com a entrega deste título, o Estado acentua também a sua aposta na necessidade de fomentar o investimento produtivo, simplificando processos e criando as condições para que o complexo industrial de Sines se afirme como um polo mais tecnológico, sustentável e competitivo».
A licença agora atribuída, refere a Repsol, «constitui um marco decisivo para o desenvolvimento do projeto, permitindo o exercício da atividade industrial em conformidade com o regime jurídico aplicável e aproximando o investimento da sua plena entrada em operação».
«A entrega do título de exploração representa um momento determinante para o Projeto Alba e para o futuro do complexo industrial de Sines. Este investimento reforça a nossa capacidade produtiva, incorpora tecnologias mais eficientes e consolida Sines como um polo industrial de referência na Europa. É também um contributo concreto para a competitividade da indústria nacional num contexto global cada vez mais exigente», diz Salvador Ruiz, diretor da Repsol Polímeros.
Já o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, que também esteve na cerimónia, tal como o presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, sublinhou que «a soberania europeia é decisiva e deve assentar numa abordagem multissetorial e multimaterial».
«O polipropileno é um dos materiais que pode aumentar a competitividade da produção europeia. O Alentejo assume hoje uma posição de liderança na Europa no que respeita a este material», referiu.
Reconhecido como tendo Potencial Interesse Nacional, o Projeto Alba é, segundo a empresa, «o maior investimento na área industrial em Portugal nos últimos 10 anos» e contempla duas novas unidades de produção de polipropileno e polietileno linear, com uma capacidade nominal conjunta de 600 mil toneladas por ano, destinadas sobretudo aos mercados internacionais. Durante a construção, «empregou cerca de 1.300 pessoas em períodos de pico» e gerou 100 postos de trabalho diretos e cerca de 300 indiretos para a sua operação.
O projeto inclui ainda uma nova plataforma logística para expedição dos produtos por via rodoviária e ferroviária, uma nova subestação de 150/30 kV, infraestruturas de armazenagem e segurança industrial, nova capacidade de produção de energia fotovoltaica para autoconsumo e um eletrolisador de hidrogénio renovável com 4 MW de potência, além da «eletrificação de equipamentos industriais críticos» e da «modernização de infraestruturas energéticas», medidas que a empresa diz acompanharem a sua transformação «no sentido de uma atividade industrial mais eficiente e com menor intensidade carbónica».
Esse eletrolisador, do projeto H2Alba, obteve a 10 de julho o título digital de alteração e exploração, «um dos primeiros títulos desta natureza atribuídos em Portugal e o primeiro relativo a um eletrolisador à escala industrial», segundo a Repsol.
Com um investimento de cerca de 15 milhões de euros, terá capacidade para produzir cerca de 600 toneladas de hidrogénio renovável por ano, a utilizar integralmente em autoconsumo no complexo de Sines, o que, estima a empresa, permitirá reduzir as emissões em cerca de seis mil toneladas de CO₂ por ano. O arranque da produção «está previsto para os próximos meses», em simultâneo com a entrada em funcionamento das novas fábricas.
Para a Repsol, o Projeto Alba «reforça o posicionamento do complexo industrial de Sines como um dos principais polos industriais da Europa» e consolida «Portugal como destino de investimento industrial de elevada intensidade tecnológica».










