Em Beja, a arruada terminou com um comício nas Portas de Mértola, onde diversas mulheres discursaram sobre a importância de, nos dias de hoje, se continuar a celebrar este dia. Um dia de luta, com o propósito de dar voz às reivindicações sobre os “retrocessos a que se assistem”.
A iniciativa celebrou também os 50 anos da primeira manifestação realizada em liberdade, apesar de já comemorarem o Dia Internacional da Mulher desde a sua fundação, em 1969, no tempo da ditadura. Nessa altura, a luta era pela libertação das mulheres presas políticas e contra o colonialismo. O MDM tem na sua génese a luta pela paz e pela solidariedade.
Ana Maria Souto, de 71 anos, do Secretariado Nacional do Movimento, afirma ser “interessante olharmos para as reivindicações que foram colocadas em 1975, nessa primeira manifestação, e perceber como elas, ainda, continuam a ser atuais nos dias de hoje, passados 50 anos”. Nesta ação, foram discutidas questões como as desigualdades salariais, as dificuldades nas pensões e o isolamento.
A dirigente destaca a importância do 25 de Abril na conquista dos direitos das mulheres, em termos sociais, políticos e jurídicos, que foram colocados na Constituição da República. “Para nós, mulheres, continua a ser um marco importantíssimo. Porque sendo a Constituição da República a lei fundamental, é onde estão expressas as conquistas que as mulheres alcançaram”.
Contudo, Ana Maria Souto realça a discrepância entre a lei e a realidade. “Muitas destas conquistas”, sublinha, “estão na lei, mas não estão na vida real. E, portanto, nós hoje ainda temos muito caminho para fazer”.
Tanto mais que, prossegue, “estamos a atravessar um período de grande resistência e de tentativa de se imporem grandes retrocessos, inclusive na vida das mulheres”. Um exemplo dessa “discrepância” é a acessibilidade à interrupção voluntária da gravidez (IVG).
Existem, também, problemas a nível do acesso aos cuidados de saúde das mulheres e das crianças, “nós também somos mães”, com o fecho de alas de obstetrícia, de pediatria e de maternidades. Esta manifestação, teve também como propósito o combate às dificuldades na oferta de emprego e às várias formas de violência a que muitas mulheres continuam a ser sujeitas.
Por outro lado, a luta pela paz é imprescindível quando queremos que os direitos das mulheres sejam salvaguardados, uma vez que “as mulheres e crianças que vivem em situação de conflito, que são refugiadas, são as maiores vítimas”. Por fim, apelou-se ao direito à habitação e a salários dignos.