As cerimónias fúnebres do jornalista e escritor Mário Zambujal, que morreu hoje aos 90 anos, realizam-se no sábado a partir das 17h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa.
No domingo, pelas 11h00, realiza-se a cerimónia privada de cremação, no Cemitério do Alto de São João, também na capital, avançou fonte da família.
Numa reação à morte do jornalista, natural de Moura, o Presidente da República diz que Mário Zambujal “deixa uma marca muito própria no jornalismo desportivo nacional, em todos os meios por onde passou, e que obteve vários êxitos com a sua escrita”.
“Orgulhosamente alentejano” – prossegue António José Seguro – “foi sempre, nas suas palavras, um desalinhado a que juntava um sentido de humor marcante”.
Lembrando que o romance “Crónica dos Bons Malandros”, adaptado mais tarde a cinema, “foi um dos mais populares” nos anos 80, o Presidente enviou “sentidas condolências” à família de Mário Zambujal, aos amigos e ao Clube dos Jornalistas, a que presidiu durante 14 anos.
Também a Academia Portuguesa de Cinema lamentou a morte de Mário Zambujal, considerando que a sua obra “atravessou várias áreas da cultura portuguesa” e deixou “também uma marca relevante no audiovisual e no cinema”.
No campo da ficção, Mário Zambujal destacou-se com “Crónica dos Bons Malandros” (1980), o seu romance de estreia, “uma das obras mais populares da literatura portuguesa contemporânea”, acrescentam, sublinhando que o livro viria a ser adaptado para cinema, numa longa-metragem realizada por Fernando Lopes.
Este trabalho do cineasta, prossegue a Academia, contribuiu “para levar ao grande ecrã o universo literário criado por Zambujal, aproximando a sua escrita do cinema português”, acrescenta o comunicado.
A Academia Portuguesa de Cinema lembra ainda que, décadas mais tarde, o livro voltaria a ser adaptado para o audiovisual, numa série de televisão exibida pela RTP1 em 2020, com realização de Jorge Paixão da Costa e oito episódios inspirados no romance original, “reforçando a permanência e atualidade da narrativa criada por Mário Zambujal”.
“Além dessa ligação ao cinema através da adaptação da sua obra, Mário Zambujal colaborou também no audiovisual enquanto autor e argumentista, escrevendo para séries e programas de ficção televisiva e contribuindo para a consolidação da escrita de argumentos em Portugal”, frisa a academia.
Mário Zambujal foi autor e coautor de guiões de séries como, entre outras, “Lá em Casa Tudo Bem” (1987), com Raul Solnado e Artur Couto e Santos, “Isto é o Agildo” (1995), com o humorista brasileiro Agildo Ribeiro, “Nós os Ricos” (1996) e “Os Imparáveis” (1996).
Autor de uma obra “marcada pelo humor, pela observação social e por um olhar singular sobre a vida urbana portuguesa, Mário Zambujal deixa um legado que atravessa o jornalismo, a literatura e o audiovisual, mantendo presença duradoura na cultura portuguesa”, conclui a Academia, apresentando condolências “à família, amigos e a todos que com ele trabalharam e privaram”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.













Uma resposta
Hoje dia do Pai relembro-o e relembrarei para sempre esta pessoa, tal como fará tenho a certeza toda a sua familia e amigos de longa data onde me inclu-o. Uma excelente pessoa e enorme ser humano viu-me crescer tal como os seus filhos e desde os meus 5, 6 anos de idade, viviamos e estudavamos todos no mesmo bairro, S. D. de Benfica. Com um sorriso único e simples a sua boa disposição e humor eram contagiantes. Deixa “quatro mulheres de peso” como ele dizia… A sua esposa, sua filha Isabel Zambujal a sua neta Maria e a sua sobrinha Filomena. Para mim foi como um “2º pai” ou “Tio” amigo e familiar chegado irá por nós todos ser sempre lembrado, tenho a certeza, faço minhas as palavras da minha muito querida Isabel Zambujal cheias de amor estima e muito carinho; Adeus Marito e até sempre.