Clarisse Campos refere que o levantamento preliminar aponta para “cerca de 10 milhões de euros [de prejuízos] nos particulares [e] cerca de 20 milhões” ao nível municipal. Estes valores, já remetidos à CCDR do Alentejo, não incluem ainda os danos no sector agrícola.
Segundo a autarca, os 20 milhões de euros de prejuízos municipais dizem respeito a danos na rede viária, património municipal e equipamentos.
A presidente do Município recebeu uma delegação de deputados da comissão parlamentar de Agricultura e Pescas e insistiu na necessidade de “salvar os negócios” afetados pelas inundações, defendendo que tal só será possível com “apoio urgente” do Governo.
“Passou um mês e o único dinheiro que ‘anda à frente’ é o dinheiro do Município porque, da parte do Governo, não temos nada”, lamentou.
Clarisse Campos afirmou ainda ter transmitido aos deputados que, além de não existirem verbas disponíveis na CCDR, também os agricultores continuam sem respostas concretas. “O ministro esteve cá e prometeu apoios e, até agora, não vimos nada”, disse.
Fonte da Associação de Orizicultores de Portugal indicou que os prejuízos no setor agrícola continuam a ser contabilizados, uma vez que ainda há campos submersos, estimando-se que na próxima semana possa ser avançado um valor global.
Quanto às declarações do ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que admitiu estar a estudar apoios a fundo perdido para pequenos empresários, a autarca disse não ter ficado com garantias suficientes. “Espero, sinceramente, que esses apoios venham, porque são muito bem-vindos, mas não ficou para mim assim tão claro que venham e isso preocupa-nos”, afirmou.
Além da reunião institucional, os deputados visitaram o Cais Palafítico da Carrasqueira, que está a ser reabilitado após ter sido parcialmente destruído pelo mau tempo.
A presidente da câmara referiu ainda que os apoios lançados para a pesca carecem de adaptação à realidade local. Dos cerca de 29 pescadores da Carrasqueira que estão “há dois meses praticamente sem rendimento”, apenas 16 foram elegíveis para as candidaturas. Segundo explicou, muitos não cumprem o requisito dos 120 dias de atividade nos dois últimos anos, uma vez que “só pescam durante meio ano”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












