A Academia Portuguesa de Cinema manifestou «profunda tristeza» pelo falecimento do artista, que recorda como um «profissional de cinema, cenógrafo, aderecista, artista plástico e homem de múltiplos talentos, cuja longa carreira ficou marcada por uma extraordinária dedicação ao cinema e às artes».
Nascido em Estremoz, em 1956, Rui Alves frequentou o curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e iniciou o percurso profissional em 1975. Segundo a academia, «cinema, fotografia, teatro, publicidade, decoração, adereços, efeitos especiais, pintura e escultura fizeram parte de uma atividade marcada pela curiosidade, pela versatilidade e por uma permanente disponibilidade para criar».
No cinema, começou como assistente de cenografia no final da década de 1970 e colaborou em produções portuguesas e internacionais, «assumindo ao longo dos anos responsabilidades como aderecista, aderecista de plateau, assistente de decoração e responsável pela construção de adereços».
O seu nome surge associado a produções como «O Conde de Monte Cristo», «Le Cercle des Passions», «La Lettre Voullè», «To Catch a King», «Giovanni Toscanini», «Arsène Lupin», «L’Accompagnatrice» e «Fado pour une jeune fille», o que revela, para a academia, «desde cedo a dimensão internacional do seu percurso profissional».

No cinema português, foi responsável pela construção de adereços em «Non ou a Vã Glória de Mandar», de Manoel de Oliveira, e trabalhou como aderecista de plateau e em efeitos especiais em «Sinais de Fogo», «entre muitos outros filmes». Em «A Moura Encantada», de Manuel Costa e Silva, surge creditado como aderecista e cenógrafo, o que, segundo a academia, testemunha «a amplitude das competências que colocou ao serviço das produções em que participou».
Pintor e escultor, Rui Alves desenvolveu uma obra própria em que explorou «formas, volumes, cores e texturas» e expôs regularmente, com a exposição «Casas», em Lisboa, e mostras em Estremoz, Évora e Aveiro. É descrito como «um artista capaz de transitar entre o trabalho manual e a criação plástica, entre a construção de objetos e a composição de espaços, colocando a sua experiência e imaginação ao serviço das histórias que o cinema procurava contar».
«Rui Alves deixou uma marca discreta mas profunda nos bastidores de numerosas produções. O seu trabalho, muitas vezes invisível aos olhos do espectador, foi essencial para dar corpo, matéria e autenticidade aos mundos criados pelo cinema», sublinha a instituição, que presta homenagem a «um profissional de grande versatilidade e um artista cuja generosidade criativa se manifestou em múltiplos campos» e apresenta condolências à família, aos amigos e aos colegas.










