O espetáculo acompanha Silva, um homem de meia-idade que acredita estar prestes a cumprir todos os seus sonhos. Trabalhador incansável e movido pela promessa de estabilidade, decide participar voluntariamente num reality show conduzido por duas anfitriãs eufóricas e implacáveis.
Ao longo da peça, o programa vai desmontando, em tom satírico e por vezes cruel, os mecanismos contemporâneos de validação, como os likes, o desempenho, a ambição permanente e a procura constante por «mais um bocadinho». Num ambiente onde o cansaço é apresentado como mérito e a esperança funciona como combustível, o espetáculo constrói uma reflexão sobre a promessa de que estamos sempre a um último esforço de alcançar a vida que imaginámos.
Segundo o encenador Cláudio Henriques, o ponto de partida foi colocar em palco uma figura raramente valorizada nas narrativas culturais: o homem comum. «O espetáculo tem como herói principal um homem comum. Sinto que muitas vezes não damos espaço à existência, em espetáculos ou noutras formas de expressão, ao homem comum», afirma.
Ao longo da ação, o protagonista vai lançando perguntas ao público e a quem acompanha o espetáculo. «O que pretendemos com esta estrutura e com estas questões? Promover uma reflexão sobre o que estamos a fazer com as nossas vidas», explica o encenador.
A peça evita discutir grandes temas globais e centra-se no quotidiano. «Não as questões, por exemplo, globais, de guerras. Não uma reflexão sobre essas questões, mas sobre a nossa vida no dia a dia», sublinha Cláudio Henriques, acrescentando que o espetáculo se desenvolve «dentro de um tom satírico, com bastante humor e com um ritmo alucinante».
A escolha do formato de reality show surge como metáfora para a forma como a vida contemporânea é frequentemente encarada. «Achámos que este formato de entretenimento servia melhor todo este caminho que queríamos lançar para o espetáculo», explica o encenador. «Vamos acompanhar um concorrente que é um homem comum e que poderíamos ser qualquer um de nós.»
O papel de Silva é interpretado pelo ator Rui Serrano. Em palco estão também Maria Toureiro e Sofia Soares Ribeiro, que assumem as personagens das apresentadoras do programa fictício.
«Elas conduzem o reality show e vão lançando desafios, quer para o público, quer para o Silva, para o protagonista», refere Cláudio Henriques.
Com texto original de João Tábuas, “The Wonderful Life of Silva” marca a nova criação do Colectivo Cultura Alentejo e deverá iniciar posteriormente um percurso de digressão. «Vai viajar. Não posso dizer já datas, mas vai viajar», adianta o encenador, acrescentando que existem apresentações previstas para Lisboa e para o norte do país.
Nos últimos tempos, o Colectivo tem apresentado os seus espetáculos em diferentes cidades, incluindo Monforte, Campo Maior e Oeiras, e passou recentemente pelo Teatro do Bairro, em Lisboa.
«Integrar a programação do Teatro do Bairro é um grande orgulho para nós», afirma Cláudio Henriques, destacando que a companhia tem procurado consolidar uma rede de apresentações em diferentes palcos.
Para já, a prioridade passa por reforçar a circulação nacional das criações do coletivo. «Estamos aqui a criar uma rede de contactos», conclui.












