A governante fez hoje uma viagem pelo rio entre Mértola e o Pomarão e, à chegada, antes de inaugurar a Feira do Peixe do Rio, fez um balanço dos trabalhos em curso na zona. Além do projeto de tomada de água do Guadiana no Pomarão — para reforçar o abastecimento de água ao Algarve através de uma ligação à barragem de Odeleite —, estão também em curso na zona trabalhos de reparação dos danos provocados pelas cheias de janeiro e fevereiro e o desassoreamento do rio para garantir a navegabilidade até Mértola.
«Tive oportunidade de fazer visita desde Mértola até aqui ao Pomarão e verificar o estado das obras que já foram feitas no âmbito do protocolo que nós assinámos com os municípios que sofreram maiores danos nas cheias», afirmou a ministra, recordando que Mértola e Alcácer do Sal foram os dois primeiros municípios a assinar o acordo que lhes permite receber financiamento do Governo para a recuperação dos danos provocados pelo mau tempo.
O protocolo com Mértola «tem um valor de 2,8 milhões de euros», dos quais 1,5 milhões se destinam ao desassoreamento do rio para o tornar navegável entre Mértola e Pomarão — trajeto que hoje pôde ser feito durante a maré alta e que se torna impraticável quando a maré desce e o rio tem menos caudal.
Os restantes fundos vão permitir fazer limpeza das margens e reconstruir cais danificados ao longo do trajeto, trabalhos já em curso, enquanto as dragagens estão ainda na fase de projeto. Esta é a parte «mais cara» e «a que demora mais», podendo ser necessário reforçar a verba prevista nos próximos anos.
O presidente da Câmara de Mértola, Mário Tomé, destacou a importância do projeto da dragagem para o desenvolvimento económico e turístico do município, frisando que vai ser executado nos «próximos dois a três anos».
Quanto à tomada de água do Pomarão, a ministra disse que vai ser iniciada «muito em breve», com duas fases previstas. A primeira entra em concurso em junho — «já abriu uma vez, mas ficou deserto, e agora vai ser novamente lançado», explicou Maria da Graça Carvalho. A segunda fase está a ser reformulada depois de a governante ter dado «orientações para fazer um novo traçado», com «menor impacto ambiental e menos oneroso».
A ministra classificou a obra como «muito importante para toda esta região» e «para ajudar a fornecer água ao Algarve», ao permitir a captação de mais 60 hectómetros cúbicos de água, ao abrigo de um acordo alcançado com Espanha. Esse volume será transferido para a barragem de Odeleite, de onde abastecerá o sotavento (este) e, em caso de necessidade, o barlavento (oeste).












