“Uma obra, quando leva muito tempo, acaba sempre por ter derrapagens. Esta já vai em 58% de derrapagem e eu diria que não vamos ficar por aqui”, afirmou a governante, em declarações aos jornalistas após ter visitado a empreitada.
Ana Paula Martins falava no atual edifício do hospital de Évora depois de visitar as obras da nova unidade hospitalar e antes de uma reunião com os recém-designados membros do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central.
Segundo a ministra, o plano do novo hospital, datado de 2008, apontava para obras de construção na ordem dos 150 milhões de euros e, agora, com “58% de desvio”, a empreitada ascende a cerca de 237 milhões de euros.
Entre diversas alterações que foram feitas ao longo dos anos, frisou que “entre 2008 e 2025 muita coisa muda até em termos dos requisitos de segurança e de qualidade assistencial”. Atualmente, a empreitada tem “mais de 70% de execução”, salientou, apontando o ano de 2027 como a data prevista para a conclusão das obras.
A governante assinalou que ainda existe “uma decisão importante para tomar em relação a algumas alterações ao projeto, que têm que ser tomadas agora”, lembrando que já tomou posse o novo conselho de administração da ULS.
Depois, “é preciso rever o acordo” que existia com a Câmara Municipal de Évora para a questão dos arruamentos e dos acessos, adiantou, indicando que já ficou “apalavrada” uma reunião com o presidente do Município, Carlos Zorrinho.
“Queremos muito que o novo Hospital esteja pronto, a obra, e, depois, temos toda a parte do equipamento e a parte também de recursos humanos, mas isso tem que se fazer simultaneamente”, sublinhou.
Ana Paula Martins considerou que a futura unidade hospitalar “faz muita falta, não só à região do Alentejo”, mas, sobretudo, a todo o distrito, admitindo a falta de condições das atuais instalações para profissionais e doentes.
Também em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Évora disse ver a visita da ministra às obras do novo Hospital como “uma vontade do Governo” para, em conjunto com o município e a unidade local de saúde, se “acelerar e concluir o mais rápido possível” o investimento.
“A Câmara está preparada para lançar todas as empreitadas das acessibilidades e depende de duas coisas, que a Estamo [sociedade de capitais públicos para compra, venda e gestão de imóveis e património] nos disponibilize o terreno público que precisamos e que o protocolo que permite as expropriações seja posto em prática”, acrescentou Carlos Zorrinho.
A futura unidade hospitalar deverá ter 360 camas em quartos individuais – podem ser aumentadas até 487 -, 11 blocos operatórios, cinco postos de pré-operatório e 43 postos de recobro, entre outras valências.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Nuno Veiga/Lusa












Uma resposta
60 milhões já foram desviados do Baixo Alentejo para electrificar a linha do comboio a pilhas. Será para o hospital de Évora ou para o TGV? o distrito de Beja cada vez mais esquecido.