O anterior presidente da Câmara de Palmela, Álvaro Amaro, eleito pela CDU, é um dos quase 90 autarcas que não podiam recandidatar-se em 2025 devido à lei que limita a três os mandatos consecutivos no mesmo município.
Álvaro Amaro, 64 anos, preparava-se para regressar ao ensino, profissão que já exercia antes de se dedicar a tempo inteiro à política, mas acabou escolhido pelos nove municípios da região para primeiro secretário da nova Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal.
É na instalação desta nova entidade regional, com um papel decisivo na definição de prioridades para a gestão de fundos comunitários, que tem estado focado nos últimos tempos.
«Tem sido uma tarefa exigente. É como instalar uma autarquia, ou um conjunto de autarquias, a partir do zero», disse, reconhecendo que nem o ensino nem a música, ‘hobby’ de longa data deste autor e compositor, impediram um rápido regresso à vida política.
Tal como Álvaro Amaro, outros presidentes que deixaram os municípios em outubro de 2025 por limitação de mandatos assumiram entretanto cargos oficiais. O antigo presidente de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU), é agora presidente do município de Montemor-o-Novo, eleito nas autárquicas de outubro de 2025, regressando a um cargo que já tinha ocupado entre 1994 e 2012.
Cerca de seis meses após ter deixado a Câmara de Borba, também o ex-presidente António Anselmo, 69 anos, está reformado, afastado da política e dedicado à família.
Já Vítor Proença (CDU) disse estar atualmente de férias e dedicado à família, depois de ter presidido às câmaras de Santiago do Cacém e de Alcácer do Sal ao longo de 24 anos, tendo renunciado ao cargo de vereador para o qual foi eleito quando tentou regressar a Santiago do Cacém.
Outros ex-presidentes regressaram às profissões que tinham antes de enveredarem pela política autárquica, como Ricardo Rio (PSD), que deixou a Câmara de Braga para voltar a ser consultor e docente universitário; Nuno Mascarenhas (PS), que saiu de Sines para retomar funções na área financeira na Administração dos Portos de Sines e do Algarve; e José Pio, que, apesar de já se poder reformar, regressou à Autoridade Tributária de Gavião.
Rui Moreira, ex-presidente da Câmara do Porto (independente), iniciou funções em 07 de abril como embaixador de Portugal na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), por nomeação do Governo, que também escolheu Paulo Fernandes (PSD), ex-presidente da Câmara do Fundão, para coordenador da Estrutura de Missão para recuperação das áreas atingidas pelo mau tempo no início do ano.
Já o histórico autarca de Aveiro, Ribau Esteves (PSD), foi eleito presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), cargo que desempenha desde fevereiro, enquanto José Alberto Quintino, anterior presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço, é atualmente funcionário da Agência de Energia e Ambiente do Oeste.
O social-democrata Carlos Carreiras, 74 anos, pediu a reforma, após três mandatos como presidente da Câmara de Cascais, com maioria absoluta, depois de «uma carreira contributiva muito grande» — pois começou a trabalhar aos 16 anos — e para «não desestabilizar financeiramente a família».
Carreiras decidiu contar a experiência autárquica no livro «Prestar Contas», de Inês Serra Lopes, lançado recentemente, e foi mandatário da candidatura do seu ex-vice-presidente à autarquia.
O ex-autarca disse que «nunca se deve dizer nunca», mas está «muito afastado da política nacional e ainda mais da autárquica», até por ter a prova de que «a política não faz bem à saúde e à qualidade de vida».
Continua a colaborar ‘pro bono’ com instituições sociais no município e está «a acompanhar o lançamento de três ou quatro projetos», ligados à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e ao Brasil, além de «algumas iniciativas» em Portugal «relacionadas com o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030», coorganizado com Espanha e Marrocos.
«Quando estes projetos arrancarem, suspendo a reforma», salientou.
Basílio Horta, 82 anos, eleito como independente pelo PS presidente da Câmara de Sintra em 2013, 2017 e 2021, afirmou que está reformado e «completamente fora» da política ativa, apesar de ter apoiado e integrado a comissão de honra da candidatura de António José Seguro nas recentes eleições presidenciais.
O antigo deputado à Constituinte e ministro de vários Governos reparte agora o tempo a ler e a passear, recuperado de uma intervenção cirúrgica recente para substituir uma válvula cardíaca, o que obriga a um ritmo mais calmo.
Apesar de reformado, preside, desde dezembro de 2025, à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados.
O ex-autarca falou ainda da necessidade de defesa dos direitos humanos, que, apesar de serem «a base de uma sociedade regular e onde se possa viver em paz», estão «a ser desprezados» na América e no mundo, mas também em Portugal, referindo a proposta de lei laboral e a «política de saúde», sem ter «em conta direitos humanos básicos».
Rogério Bacalhau (PSD) deixou a Câmara de Faro e, apesar de ter sido apontado para funções na Águas do Algarve, regressou ao ensino. Já o ex-presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues (PS), regressou à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde é professor auxiliar de Sociologia, e aguarda julgamento por alegadamente ter adquirido bilhetes para jogos da Liga dos Campeões com dinheiro da autarquia, tendo garantido, à data da acusação, tratar-se de uma compra «regular e legal».
Alentejo Ilustrado/Lusa (texto) | Ilustração gerada por inteligência artificial












