«O montado português está em declínio», afirmam os deputados do CDS-PP no projeto de resolução, sublinhando que, todos os anos, se perdem cerca de oito mil hectares de montado e que «as associações de agricultores do Alentejo têm vindo a alertar para a possibilidade de passar a 12 mil hectares nos próximos anos».
Referindo que «a densidade de árvores tem vindo a diminuir, a taxa de renovo a decrescer e a mortalidade a aumentar», os deputados lembram que esta floresta «ocupa um terço do território nacional e alberga 72% dos sobreiros e 92% das azinheiras do país».
Nestes termos, o CDS-PP propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo a adoção de «medidas que protejam o montado e travem o seu declínio», «crie um programa de revitalização do montado e «incentive o investimento em investigação e inovação tecnológica associada ao sistema agroflorestal do montado».
«O papel estratégico do setor florestal para o desenvolvimento do país é indiscutível», sublinham os deputados, indicando que este setor representa, no seu conjunto, perto de 10% das exportações de bens, 2% do Valor Acrescentado Bruto e gera 100 mil empregos. Segundo o documento, «a propriedade florestal nacional é maioritariamente (97%) privada ou comunitária».
Os deputados destacam ainda o contributo da cortiça, que, «só por si, contribui anualmente com 600 milhões de euros para o saldo da balança de pagamentos de Portugal», e recordam que o montado sustenta outras atividades económicas, como a produção de porco alentejano, «exportado em 90% para Espanha».
O projeto de resolução compara ainda o montado português com a floresta espanhola de características semelhantes, notando que «apenas a Dehesa espanhola se aproxima das características do nosso montado», e sublinha o papel ambiental desta floresta: «o montado de sobro e de azinho presta um incalculável serviço ao ambiente através da fixação de carbono», lê-se no documento.
O Grupo Parlamentar do CDS-PP recorda que «tem, ao longo dos últimos anos, apresentado iniciativas com vista à defesa do montado, que travem o seu declínio», defendendo a criação de «uma verdadeira política pública para a floresta multifuncional que trave o declínio do montado e garanta o seu restauro, promova a biodiversidade, o pagamento dos serviços de ecossistemas, o efeito sumidouro de carbono», contribuindo, dizem os deputados, «para travar a desertificação do sul do país e potenciar o desenvolvimento económico destas áreas tão importantes para o país».











2 Responses
O problema do montado é a coexistência com gado sem pastor em modo de livre dentro dos cercados.
O gado, vacas ou ovelhas, recebe dinheiro da UE , logo é uma fonte de rendimento.
Acontece que numa parte substancial do ano não há pasto para o gado e este come , mordisca, pisa tudo , incluindo os sobreiros e azinheiras novos .
Em breve não há arvores.
Mas quem pode culpar o proprietário que não tem pessoal e quer ter rendimento.
O gado está a matar o Montado.
Se o Estado tiver menos intervenção na vida dos cidadãos, até o Montado terá mais futuro!
Medidas aprovadas centralmente não são solução para nada. Ou teriam funcionado na União Soviética, ou nos restantes países de administração central. Não há um para exemplo!
Espanta-me que o CDS apresente medidas socialistas!…