Deputados chamam Ceia da Silva à AR para explicar corte de 60 milhões na ferrovia

O PSD requereu a audição, no Parlamento, do presidente da CCDR do Alentejo, da Infraestruturas de Portugal e do Governo para esclarecer a revisão da dotação financeira destinada à modernização, requalificação e eletrificação da linha ferroviária Casa Branca–Beja, cuja verba foi reduzida de cerca de 80 para 20 milhões de euros.

O deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, disse ter diligenciado junto dos parlamentares do seu partido que integram a Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade a chamada destes responsáveis “devido à mais recente reestruturação do financiamento da modernização da linha ferroviária Casa Branca–Beja”.

Em causa está o facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo ter confirmado, na passada semana, a revisão da dotação financeira do projeto de modernização, requalificação e eletrificação daquela ferrovia, que passou de cerca de 80 milhões de euros para 20 milhões, no âmbito do programa operacional regional Alentejo 2030.

A decisão foi comunicada durante uma reunião, a 02 de dezembro, em Évora, entre a comissão diretiva do Alentejo 2030, a IP e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Baixo Alentejo, com o presidente da CCDR a explicar, na altura, que o programa “não podia manter a verba [inicialmente] alocada” ao projeto porque a obra “não era exequível nem era fazível” no atual quadro comunitário de apoio, que termina no final de 2027.

No requerimento do PSD, subscrito por 15 deputados sociais-democratas, são requeridas as audições do presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, do presidente executivo da IP, Miguel Cruz, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, na Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade.

O Grupo Parlamentar do PSD considera “é “fundamental clarificar os factos, garantir transparência, mas também responsabilização pública” e diz que, para tal, “impõe-se um escrutínio rigoroso e institucional das decisões tomadas e dos seus impactos”..

No requerimento é ainda referido ser “elementar esclarecer os fundamentos técnicos para a decisão unilateral da CCDR do Alentejo” de rever a dotação financeira do investimento, “assim como os impactos concretos na execução da obra, nos prazos e nas fases do projeto de modernização da Linha Casa Branca–Beja”.

Para os sociais-democratas, a modernização deste troço da Linha Ferroviária do Alentejo “constitui um investimento estruturante de extrema importância para a região”. Por isso, argumentaram, a redução do financiamento garantido pelo programa Alentejo 2030 “irá colocar em risco o cumprimento dos prazos originalmente previstos, podendo comprometer todo o projeto ferroviário para a região”.

A decisão de revisão da dotação financeira do projeto também já foi contestada pela IP, que, em comunicado, garantiu tratar-se de uma “decisão unilateral da CCDR”, enquanto a CIM do Baixo Alentejo assumiu “alguma inquietação com um horizonte de execução [do projeto] que vai até 2032”.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Arquivo/D.R.

3 Responses

  1. Gonçalo Valente assumiu esta obra pois era, declaradamente, uma promessa que tinha pernas para andar, além de ser uma justa melhoria numa ferrovia obsoleta.Terá ficado sentido pela reviravolta inesperada na dotação com inexplicável quebra (ou talvez não!), mas o seu partido deverá explicar ou resolver tal equívoco. Não conheço pessoalmente Gonçalo Valente mas vejo nele força para romper esta barreira. Oxalá tenha sucesso para bem do Baixo Alentejo.

    1. Não só do baixo Alentejo, mas também do alto Alentejo que, do ponto de vista da ferrovia, tem sido sempre posto de lado, deixando as suas populações cada vez mais isoladas, realidade que não pode subsistir.

  2. Ha que deixar tudo bem claro.
    O interior em especial o Alentejo, sao sempre os esquecidos, os deixados para tras.
    Ate parece que nao querem o Alentejo desenvolvido

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