«Fui sempre muito mais virado para o rock, para a música brasileira e para o jazz», explica o músico de 27 anos, a quem o Alentejo deu «bagagem, mas não em termos musicais».
«Não renego o Alentejo, pelo menos na minha maneira de ser, de levar as coisas com vagar, com calma. Esse lado mais contemplativo ajuda muito na escrita», acrescenta, sublinhando que se costuma «retratar os alentejanos como preguiçosos, mas eles são só contemplativos e estão a apreciar cada momento da vida».
Com 11 canções e edição da Universal Music Portugal, «Vir a Ser» é, segundo a editora, um disco «onde a canção portuguesa encontra referências da música brasileira, do jazz e de uma abordagem pop contemporânea», que assinala «um momento decisivo no percurso de um dos nomes mais promissores da nova geração da música em língua portuguesa».
O álbum inclui os quatro singles divulgados nos últimos meses: «O Mundo Sou Eu», que integra a banda sonora do filme «Podia Ter Esperado por Agosto», de César Mourão, «Amor Sem Nome», «Pisa a Poça», dueto com Tainá, e «Contramão».
O título remete, explica Diogo Zambujo, para «a ideia de metamorfose e transformação», porque o disco «vai desde a primeira música que escrevi — há cerca de 10 anos — até músicas que escrevi este ano». «Acabou por passar por muitas fases na minha vida entre os 17 e os 27, vai desde a adolescência até ao início da idade adulta», refere na entrevista à Ensaio.
Todas as letras são da sua autoria e, admite, «se calhar podemos considerar todas autobiográficas, nem que seja por um mero apontamento». «Mais Um Dia», por exemplo, foi escrita durante a pandemia, a partir da leitura de «Para Onde Vão os Guarda-Chuvas», de Afonso Cruz, livro «em que um pai perde o filho».
Se tivesse de destacar uma canção, escolheria «Ferida Sarada», uma das duas — a par de «Outro Quarto Qualquer» — já escritas a pensar no álbum. «É a música mais fora do baralho, mas que também me representa. Era a peça que faltava do puzzle», diz, descrevendo-a como «mesmo rock, com bateria a dar com força, distorção quase no máximo».
Produzido pelo guitarrista André Santos, o disco foi gravado entre os estúdios Vale de Lobos, Audivibe e Roma 49, com mistura e masterização maioritariamente a cargo de Bernardo Barata, antigo baixista dos Diabo na Cruz. «Trabalhar com o André como produtor foi uma sugestão do meu pai», conta.
Diogo Zambujo é autor da letra e da composição de «Escutando o Universo», dueto que gravou com o pai e que integra o álbum «Voz e Violão» (2021). «Um conselho que infelizmente não segui foi do meu pai, que me disse para seguir logo a música», recorda, explicando que «quem levou a melhor foi o lado materno, que queria segurança e um plano B antes de me jogar aos leões», pelo que foi tirar primeiro uma licenciatura.
Já a voz de Tainá em «Pisa a Poça» surgiu por sugestão do tio, para quem a canção ficava «mais engraçado com uma voz feminina para haver um contraste». «Ela tem uma voz lindíssima, super doce, que contrasta bem com a minha voz de bagaço», afirma o músico.
Agora em formato de trio, Diogo Zambujo tem concertos marcados a 30 de outubro na Guarda, a 31 de outubro em Miranda do Corvo, a 7 de novembro em Beja e a 3 de março no Maria Matos. «Vir a Ser» está disponível nas plataformas digitais e em vinil.










