Diretora-geral alerta para «ameaça real e próxima» da peste suína africana

A peste suína africana (PSA) representa «uma ameaça real e próxima» para o setor suinícola nacional, alerta Susana Pombo, diretora-geral de Alimentação e Veterinária, em artigo publicado na revista Alva, da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses. A responsável apela à colaboração dos caçadores na vigilância e deteção precoce da doença.

A responsável defende que «a sua prevenção depende de uma abordagem integrada, assente na vigilância no terreno, na deteção precoce e na comunicação atempada», acrescentando que «os caçadores assumem um papel central, sendo parceiros fundamentais na proteção da sanidade animal e na salvaguarda do território».

Segundo Susana Pombo, a doença está atualmente presente «em várias regiões do mundo — com registo em 83 países entre 2022 e 2025» — e «afeta não só a sanidade e o bem-estar animal, mas também a sustentabilidade das explorações e os meios de subsistência associados ao setor».

A diretora-geral refere que «a deteção recente de focos em javalis, em Espanha, veio reforçar que o risco de introdução da doença em Portugal é real e próximo».

Sublinhando que «um dos aspetos mais preocupantes desta doença é a sua capacidade de circular de forma silenciosa durante semanas ou meses antes de ser detetada», Susana Pombo lembra que «quando surgem os primeiros sinais, a infeção pode já estar instalada no território». Por isso, «a vigilância assume um papel determinante — e é aqui que o contributo dos caçadores se revela essencial».

Trata-se, acrescenta, de «uma doença viral altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e javalis, podendo provocar taxas de mortalidade próximas de 100%», pelo que o seu impacto económico é muito significativo, apesar de «não representar risco para a saúde humana».

A diretora-geral acrescenta que «a confirmação de um foco implica a aplicação de medidas rigorosas, incluindo o abate sanitário de animais, restrições à movimentação e perdas económicas relevantes para todo o setor», lembrando que «a experiência recente em Espanha evidencia esta realidade, com prejuízos estimados em centenas de milhões de euros associados aos focos detetados».

Sobre a situação em Portugal, Susana Pombo refere que «a população de javalis tem vindo a aumentar de forma significativa nas últimas décadas, estimando-se, atualmente, cerca de 277 mil animais em território continental». Este crescimento, explica, «traduz-se numa maior densidade populacional e numa maior interação com sistemas de produção pecuária, sobretudo em regime extensivo, aumentando o risco de transmissão de doenças».

No artigo publicado na revista Alva, a responsável nota que «a presença de cadáveres no terreno é frequentemente o primeiro indicador de que o vírus já se encontra ativo numa determinada área», acrescentando que «situações desta natureza devem ser encaradas como potenciais alertas sanitários, mesmo quando não existam sinais evidentes da causa de morte».

Ainda de acordo com Susana Pombo, no âmbito da Animas — Aplicação de Notificação Imediata de Mortalidade de Animais Selvagens já foram reportados 147 casos suspeitos, desde 2022, «um aumento expressivo do número de ocorrências comunicadas, refletindo uma maior adesão por parte dos utilizadores e uma crescente sensibilização para a importância da deteção precoce».

Na totalidade dos casos reportados, «cerca de 98% das notificações correspondem a javalis encontrados mortos, sendo residual a identificação de animais vivos com sinais clínicos», sublinhando que «este dado é consistente com a epidemiologia da PSA e reforça a importância da deteção de cadáveres como principal indicador da presença do vírus no meio natural».

No total, segundo a diretora-geral, «foram notificados 172 javalis, dos quais 81 foram testados, permitindo uma melhor caracterização da situação epidemiológica», sendo que «a distribuição geográfica das notificações evidencia uma maior concentração nas regiões Centro, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, o que contribui para orientar as ações de vigilância e controlo».

4 Responses

  1. Não sei quais as são as ações que a sra diretora da DGAV tem em mente, mas sugiro que utilize o banco de examinizadores para a caça maior formados pelos cursos promovidos pela UTADClube Monteiros e DGAV, em apoio á classe veterinaria, em todos os atos de caça maior do Pais.
    Talvez assim consiga ter algum resultado na identificação percose da PSA.

  2. Soube que o Clube Português de Monteiro s está a dinamizar cursos de despistagem de doenças na Caca maior. É talvez necessário aumentar o nr de Formações

  3. Obrigar todas as associações de caçadores a deixar caçar todos os dias aos javali só assim se sente o enpacto todos a contribuir não é depois da duemsa estar em Portugal que nos venho pedir para vos ajudar obrigado

  4. Só não se reduz a densidade de javalis, porque o governo não tem interesse!
    Se reduzir os custos da atividade aos caçadores, principalmente na correção de densidade de javalis, talvez aparecesse algum resultado…

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