«Invisible. Intervenciones efímeras en la Raya hispano-lusa» propõe, segundo a organização, «uma reflexão sobre a memória coletiva, a presença e a ausência», ressignificando «espaços abandonados ou lugares marcados por uma forte dimensão identitária».
O projeto parte da representação do olho «como elemento intermédio entre a memória e o esquecimento» e recorre a «um código Morse reinterpretado», explica a Mostra Espanha. O olho transforma-se assim «num símbolo projetado sobre diferentes locais, assumindo em cada intervenção uma forma própria».
O pestanejar, «elemento central da proposta», estabelece, segundo a mesma fonte, «uma relação entre aquilo que permanece e aquilo que desaparece: entre o que é visto e o que deixa de ser visível, entre a presença e a ausência».
Cada projeção constitui «uma espécie de gesto de evocação e de defesa da memória coletiva, convocando histórias, identidades e lugares que correm o risco de permanecer esquecidos».
Ao longo do percurso, a intervenção «estabelece um diálogo entre a arte contemporânea e o património material e imaterial da fronteira», ocupando temporariamente espaços «cuja dimensão histórica e simbólica ganha uma nova leitura através da luz e da imagem».
A primeira apresentação acontece a 10 de outubro, em Olivença, com uma visita guiada à exposição no Museu Etnográfico, às 18h00, seguida de uma intervenção efémera na histórica ponte da Ajuda, às 19h00 — «espaço simbólico da ligação entre Portugal e Espanha», lembra a organização.
Nos dias 17 e 18 de outubro, às 20h00, a intervenção «atravessa a própria fronteira», com apresentações na ermida de São Mamede, em Portalegre, e na ermita de La Lapa, entre La Codosera, em Espanha, e Besteiros, em Portugal, num diálogo, segundo a Mostra Espanha, «entre os dois lados da Raia e entre diferentes espaços de culto e memória».
A 25 de outubro, também às 20h00, é a vez do castelo de Juromenha, em Alandroal. Seguem-se a albergaria de Nossa Senhora da Fonte Santa, a 1 de novembro, Vila Viçosa, a 8 de novembro, e Nossa Senhora do Paraíso, a 15 de novembro.
O percurso termina em Elvas, onde o projeto estará patente de 20 a 30 de novembro no Museu Etnográfico, reforçando, segundo a organização, «a relação entre a intervenção contemporânea e os espaços de preservação da memória local».
Carmen de Matos desenvolve a sua prática no campo da arte contemporânea, «explorando as relações entre espaço, memória, identidade, território e perceção».
O seu trabalho, descreve a Mostra Espanha, «recorre a diferentes linguagens e meios, estabelecendo frequentemente uma relação direta com os lugares onde as obras são apresentadas». Em «Invisible», a artista cria «uma intervenção que combina luz, arquitetura e paisagem, transformando temporariamente espaços de forte carga histórica e identitária».
A intervenção integra a programação da Mostra Espanha, bienal organizada pelo Ministério da Cultura espanhol que, na nona edição, apresenta mais de 30 atividades de cinema, música, teatro, dança, literatura e artes visuais em 21 municípios de todo o país.
Criada em 2009 com o objetivo de aproximar a cultura espanhola do público português, a bienal consolidou-se, segundo a organização, como «um espaço de encontro que contribuiu para criar novas redes de colaboração entre instituições, criadores e profissionais dos dois países».
A edição deste ano foi inaugurada a 14 de setembro, em Lisboa, pelos ministros da Cultura de Espanha e de Portugal, e tem como lema «Espanha em movimento: diversidade e futuros sustentáveis», convidando, acrescenta a organização, «à reflexão sobre o papel da cultura como motor de transformação social».
A bienal é organizada pela Subdireção-Geral de Relações Internacionais e União Europeia do Ministério da Cultura de Espanha, em colaboração com a Embaixada de Espanha em Portugal, e conta com o apoio da Acción Cultural Española e do Instituto Cervantes de Lisboa. Do lado português, tem o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, de diversas câmaras municipais e de várias instituições culturais.










