O primeiro momento desta fase aconteceu a 30 de janeiro, no Salão Brazil, em Coimbra, onde a banda apresentou o álbum no dia do seu lançamento oficial.
Editado pela Lux Records no início do ano, Encarnação sucede a Antropocenas e assume-se como «um trabalho centrado na fisicalidade do som e na relação direta entre os músicos». Inicialmente pensado como um projeto mais elaborado, sob o nome provisório Artes do Mato, o disco evoluiu para uma abordagem mais direta e orgânica.
«Descobrimos que uma das formas de lidar com a precariedade é abraçá-la. O que dá muito mau ativismo. Mas pode criar uma coisa mais perigosa que o ativismo, e a música pode ser a liturgia dessa ideia», diz fonte da banda.
Os Duques do Precariado continuam a afirmar uma identidade própria, que designam como «folclore Independente» ou «etno-novidades», com letras que abordam temas como a morte, o amor e a fragilidade da condição humana.
Em palco, esta nova fase traduz-se num concerto de forte intensidade, em que os temas de Encarnação dialogam com composições do álbum anterior, reforçando a dimensão coletiva e física da música do grupo.
A digressão passa por Odemira, a 24 de abril, e inclui também uma atuação em Sines, a 23 de julho, integrada no Festival Músicas do Mundo.
Os Duques do Precariado nasceram em Lisboa em 2014, quando o vocalista e compositor Pedro Mendonça mostrou ao contrabaixista João Fragoso as canções que tinha «no lixo». Depois de muitas conversas e algumas gravações numa cave da Graça, deram-se a conhecer a 1 de maio de 2017 com o tema Vou Considerar, produzido com Bernardo Fachada.
No ano seguinte saiu o primeiro álbum, a que chamaram Antropocenas, um grupo de «sete canções que retratam um encontro demorado com a certeza do colapso».
Em 2023, este disco foi recuperado do esquecimento com a edição física pela Lux Records e foi apresentado ao vivo a quem o quis ouvir, às vezes em quinteto e muitas vezes apenas em duo.
No final de 2024, já fora de Lisboa, e com João Neves, que se juntou no caminho, decidiram que queriam fazer um disco novo, a celebrar as coisas que descobriram entretanto. Chamaram-lhe Encarnação.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Teresa Costa












