O conceito de lactoturismo é recente (10-15 anos) e surge como um mercado de nicho, inicialmente na Índia e em Espanha, mas já antes disso, na Áustria, surgem referências a experiências gastronómicas e culturais em torno do leite e do queijo. Uma outra referência ao setor surge na Austrália, nos anos 2000, partindo de uma empresa que aposta em ‘tours’ públicos numa fábrica de queijo, permitindo experiências diversas como a ordenha e a degustação como nova forma de sustentabilidade económica.
Na atualidade, o lactoturismo consiste numa modalidade de turismo temático inserida no âmbito do turismo rural e gastronómico, eventualmente criativo e que se centra na valorização do sector leiteiro e das suas práticas culturais, sociais e económicas.
Compreende um conjunto de experiências que abrangem desde a visita a explorações leiteiras, a observação e participação nos processos de produção e transformação do leite e seus derivados, até à degustação e promoção da gastronomia local baseada em produtos lácteos. Enquanto prática turística, o lactoturismo contribui para o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais, fortalecendo a identidade cultural, educativa e patrimonial associada ao universo do leite. O lactoturismo é pois uma experiência que convida a descobrir o fascinante mundo do leite!
O lactoturismo, também conhecido internacionalmente como ‘dairy tourism’ tem vindo a ganhar relevância nas últimas décadas, em virtude da crescente procura por experiências turísticas autênticas, educativas e sustentáveis. A nível mundial, países como a Suíça, França, Itália e Holanda consolidaram o lactoturismo como parte integrante da sua oferta turística, valorizando tanto a dimensão económica como a cultural e educativa. Em contextos emergentes, como Portugal, Espanha e alguns países da América Latina, verifica-se um interesse crescente em estruturar esta prática, sobretudo através da valorização de produtos lácteos com certificação de origem e forte identidade territorial.
O lactoturismo assume-se como um instrumento estratégico para a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para a preservação do património imaterial e para a consolidação de modelos turísticos baseados na autenticidade e na responsabilidade social e ambiental.
O projeto em questão, promovido pela Queijaria Sapata é pois uma inovação ímpar no setor, na economia regional e nacional e contribui para a diversificação da oferta turística do concelho de Reguengos de Monsaraz e da região.
O autor é professor e coordenador do Arquivo Digital do Cante












Uma resposta
O conceito existe e já é explorado em algumas regiões com muito êxito.
Ainda recentemente visitei uma queijaria da Terceira integrada num roteiro turístico da Ilha onde se conta a interessante história da colonização deste arquipélago e o seu desenvolvimento económico baseado em grandes parte nesta actividade.
Sobre esta de Reguengos, em concreto gostaria de saber algo mais que não fosse só vender queijos .