“É um sonho que ganha corpo”. Beja terá o primeiro museu nacional de BD

O diretor da Bedeteca de Beja revela tratar-se de um investimento de 1,2 milhões de euros. O projeto ocupará um edifício reabilitado no centro histórico e será "o primeiro museu dedicado exclusivamente à banda desenhada no nosso país", reunindo um acervo histórico que atravessa três séculos.

“É um sonho que ganha corpo: o primeiro museu dedicado exclusivamente à banda desenhada no nosso país!”, afirma Paulo Monteiro, diretor da Bedeteca de Beja, a propósito da abertura do Museu de Banda Desenhada (MBD) anunciada para 2027.

O projeto, cujo montante de investimento é de 1,2 milhões de euros (financiado a 85%), assenta na reabilitação de um edifício degradado no centro histórico da cidade, na Rua Dr. Afonso Costa (também conhecida por Rua das Lojas), e consequente adaptação a Museu de Banda Desenhada.

De acordo com o responsável, a futura infraestrutura cultural estará instalada num imóvel estratégico na malha urbana da cidade. Paulo Monteiro explica que o Museu contará com três salas dedicadas à leitura, sete salas para a exposição permanente, duas para exposições temporárias, uma para oficinas e outra que funcionará como loja (onde se venderão livros de autores portugueses, originais e serigrafias).

Relativamente ao conteúdo que os visitantes poderão encontrar a partir de 2027, o diretor da Bedeteca de Beja destaca a importância das doações recebidas ao longo do tempo. O acervo entretanto recolhido comporta muitas centenas de pranchas oferecidas à Câmara Municipal pelos autores ou pelas suas famílias e constitui uma verdadeira viagem pela história da banda desenhada portuguesa (desde a segunda metade do século XIX até aos nossos dias).

Além das pranchas originais, o acervo também comporta esboços, manuscritos, fotografias, maquetes, materiais, guiões (e até o cachimbo do Eduardo Teixeira Coelho).

Segundo Paulo Monteiro, o Museu de Banda Desenhada de Beja será um espaço de homenagem aos grandes mestres da arte sequencial nacional, definindo-o como um museu onde ressoarão os nomes de Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais ou Carlos Botelho.

“Temos muitas pranchas originais, guiões, materiais de desenho, fotografias e, naturalmente, uma bibliografia muito vasta, que entronca no acervo que já tínhamos na Bedeteca” de Beja, assinalou ainda Paulo Monteiro, precisando que, ao todo, são “perto de 1.500 pranchas [de banda desenhada]”, assim como “centenas de fotografias, manuscritos e correspondência” de quase uma centena de artistas nacionais.

Já para a Câmara de Beja, este projeto “vem reforçar a longa e reconhecida tradição da cidade no domínio da banda desenhada”, afirmando-a “como um polo cultural de referência a nível nacional e internacional”.

A infraestrutura “integrará um conjunto diversificado de espaços, incluindo três salas de leitura, onde ficará instalada a Bedeteca de Beja, atualmente sediada na Casa da Cultura”, precisou o Município, em comunicado, no qual recorda que o projeto começou a ser desenvolvido em 2016 e a sua concretização vai permitir que Portugal passe a “integrar um roteiro internacional” de espaços do género, que inclui diversos países.

Recorde-se que Beja acolhe, desde 2005, uma das poucas bedetecas em Portugal e um festival internacional de BD.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Ilustração: Susa Monteiro

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