Elvas: Diretores de hotéis preocupados com efeitos da guerra no Médio Oriente

O presidente da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP) alertou que o conflito no Médio Oriente poderá provocar “impactos relevantes” no turismo, um setor que considera “um dos mais sensíveis” à instabilidade internacional.

“O nosso setor é um dos mais sensíveis à instabilidade internacional e começam-se já a antever impactos relevantes, tanto ao nível dos custos operacionais como na evolução dos mercados e fluxos turísticos”, disse Fernando Garrido, na sessão de abertura do XXII Congresso da ADHP, a decorrer no Centro de Negócios Transfronteiriço de Elvas.

Fernando Garrido acrescentou, no entanto, que “ainda assim é cedo” para “avaliações definitivas”, uma vez que os dados disponíveis são ainda limitados. “Algumas unidades hoteleiras” – prosseguiu – “começam a registar cancelamentos ou adiamentos de reservas individuais e de grupos, enquanto surgem desde já algumas consultas para realocar eventos inicialmente previstos para destinos que estão mais afetados por esses conflitos”.

Garantindo que os diretores de hotel “continuarão a acompanhar esta situação com atenção, assegurando, como sempre, a resiliência e a capacidade de adaptação” que caracterizam o setor, o presidente da ADHP manifestou também preocupação com outros fatores que afetam a atividade turística, referindo que o setor aguarda a entrada em vigor do diploma que vai “reforçar o enquadramento e o reconhecimento” dos profissionais, em particular da função de diretor de hotel.

“Gostaria de reforçar, igualmente, a nossa preocupação com a falta de infraestruturas estratégicas para o turismo, mais especificamente o novo Aeroporto de Lisboa e a ferrovia de alta velocidade”, acrescentou, considerando ser “irreal” esperar que os resultados do turismo “continuem a crescer exponencialmente” quando os principais acessos ao país “estão esgotados”.

“Não podemos continuar a perder tempo, a aguardar pelas soluções que nunca se concretizam”, alertou, antes de criticar o surgimento de movimentos que denunciam excesso de turismo. “Vemos ainda, com alguma preocupação, o aparecimento de alguns movimentos que apregoam o excesso de turismo, movimentos que não refletem de todo a opinião da maioria da população como já comprovado por estudos realizados às populações locais, mas pelo facto de se lhe dar palco e falarem mais alto, passam a ser considerados como opinião geral”, afirmou.

Também na sessão de abertura do congresso, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, apontou vários desafios para o setor da hotelaria, entre os quais a falta de mão-de-obra, que continua a ser “um problema” para o desenvolvimento do turismo.

“O setor está a encontrar soluções, como é o exemplo da formação no âmbito do Programa Integrar para o Turismo, que junta o Turismo de Portugal à AIMA — Agência para a Integração, Migrações e Asilo — e à Confederação do Turismo de Portugal, através do qual estamos a identificar, formar e integrar migrantes para trabalharem na atividade turística, nomeadamente nos hotéis”, recordou.

Sublinhando que a revisão da legislação laboral “em discussão no âmbito do dominado Trabalho XXI “reveste-se de uma importância decisiva para o futuro do emprego e da competitividade em Portugal”, o presidente da CTP aponta a captação de novos mercados e a capacidade de “seduzir turistas com maior poder de compra” como metas que devem ser atingidas nos próximos tempos, bem como a construção do novo aeroporto de Lisboa.

“E já agora” – sublinhou – “volto também a referi-lo: acelerem-se as decisões que tenham de ser tomadas, acabem-se com as burocracias desnecessárias e invista-se o dinheiro que existe para que o TGV e a modernização da ferrovia seja uma realidade em Portugal”.

O XXII Congresso da ADHP decorre até amanhã em Elvas e propõe debates sobre vários temas do setor, incluindo o bem-estar das equipas, estratégias para tornar mais atrativa a restauração nos hotéis, a promoção de destinos do interior, a sustentabilidade e o impacto da inteligência artificial na gestão hoteleira.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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