Enfermeiro diretor do Hospital de Évora alvo de 15 queixas na Ordem

A Ordem dos Enfermeiros (OE) confirma ter recebido uma denúncia anónima relativa ao enfermeiro diretor da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central, Emanuel Boieiro, que remeteu ao Conselho Jurisdicional para apreciação.

Uma notícia do jornal Observador refere que o enfermeiro diretor do Conselho de Administração (CA) da ULS do Alentejo Central é «alvo de 15 queixas por padrão de gestão baseado no medo». Segundo o jornal, «vários enfermeiros» denunciaram ao Conselho de Administração da ULS, assim como «ao departamento do trabalho daquela unidade», situações de «assédio moral, ameaças, injúrias, retirada de competências, intimidação, humilhação pública, violação de direitos ou coerção levadas a cabo por Emanuel Boieiro».

Em resposta enviada por correio eletrónico, a OE limitou-se a confirmar «a receção da denúncia anónima, entretanto remetida ao Conselho Jurisdicional», salientando que compete a este órgão «apreciar os factos», estando já «a realizar as diligências necessárias».

«Atendendo ao caráter sigiloso do processo nesta fase, além do que já foi tornado público, não podem ser prestadas mais informações», acrescentou.

Também o CA da ULS do Alentejo Central confirmou ter recebido queixas contra o enfermeiro diretor da instituição. «Todas as exposições, participações ou queixas formalmente apresentadas [a esta ULS] são analisadas de acordo com os mecanismos legalmente previstos, no estrito respeito pelos princípios da legalidade, imparcialidade, confidencialidade, proteção de dados pessoais e salvaguarda dos direitos de todos os profissionais envolvidos», explicou.

A ULS acrescentou que «sempre que os factos reportados o justifiquem, são desencadeados os procedimentos adequados, designadamente processos de averiguação, inquérito ou outros mecanismos legalmente admissíveis», com o objetivo de «apuramento da verdade material e eventual determinação de responsabilidades, pelas entidades competentes».

Devido ao «dever legal de sigilo e da proteção da reserva da vida privada», a ULS referiu não poder «comentar, confirmar ou divulgar publicamente elementos relativos a processos, situações disciplinares, dados clínicos, baixas médicas ou quaisquer circunstâncias relacionadas com a saúde física ou psicológica dos seus profissionais, sem consentimento dos próprios».

A instituição «realça a importância de se averiguarem os factos e rejeita igualmente qualquer generalização suscetível de colocar em causa a integridade, dedicação e profissionalismo das equipas e de quaisquer dos seus profissionais, cujo trabalho diário representa um pilar essencial da prestação de cuidados de saúde à população».

A Lusa tentou contactar Emanuel Boieiro, sem sucesso. A coordenadora no Alentejo do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Carolina Ribeiro, disse saber do caso pela notícia do jornal, realçando que nada lhe chegou oficialmente.

Ao Observador, o bastonário da OE, Luís Barreira, disse que a ordem está a investigar o caso e acionou o órgão disciplinar. Já a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) reconheceu ao jornal ter recebido «as queixas dos enfermeiros da ULS, estando a analisar o conteúdo das mesmas para decidir se abre um inquérito».

3 Responses

  1. Estao a ponderar se é de abrir procedimento?
    Laro que sim, inquerito disciplinar para começar, para apuramento dos factos. Havendo materia já bem descrita nas queixas, abrir processo de contraordenaçao e…queixa ao mp!
    Em qualquer dos casos o sr Boieiro tera toda a margem de intervenção e defesa, portanto deixem se mas é de m…e façam o trabalho que lhes compete.nenhum trabalhacor deve estar sujeito a situaçoes como as descritas.

  2. O que eu acho é que ninguém deve ser julgado e crucificado na praça pública. Que seja apurada a verdade e assacadas as responsabilidades se as houver.

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