Ensino superior do Alentejo coloca mais 319 alunos e cresce 18,4%

As três instituições de ensino superior do Alentejo colocaram 2.052 estudantes na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), mais 319 do que em 2025, o que corresponde a um crescimento de 18,4% comparativamente com o ano passado.

O crescimento resulta da passagem de 1.733 colocados em 2025 para 2.052 este ano, e supera a média nacional, que ficou nos 13,9%. É sobretudo puxado pelos dois politécnicos da região, que recuperam de um ano de 2025 particularmente fraco. Em conjunto, a Universidade de Évora, a Universidade Politécnica de Beja e a Universidade Politécnica de Portalegre disponibilizaram 2.577 vagas e preencheram 79,6% dos lugares.

O salto mais expressivo pertence à Universidade Politécnica de Beja. A instituição colocou 325 estudantes em 522 vagas, o que representa uma taxa de ocupação de 62,3%. No ano passado, com 519 vagas, tinha colocado apenas 203 alunos, ficando-se por 39,1% . São mais 122 colocados na primeira fase, um crescimento de 60,1%, e uma subida de 23,2 pontos percentuais na taxa de ocupação — a maior variação entre as três instituições da região.

A Universidade Politécnica de Portalegre também melhorou de forma acentuada. Colocou 446 estudantes em 643 vagas, atingindo 69,4% de ocupação, contra 337 colocados em 631 vagas e 53,4% de ocupação em 2025. O aumento é de 109 colocados, ou 32,3%, e de 16 pontos percentuais na taxa de ocupação.

A Universidade de Évora mantém-se como a instituição da região com mais estudantes colocados: 1.281 em 1.412 vagas, correspondentes a 90,7% de ocupação. No ano anterior tinham sido 1.193 colocados em 1.371 vagas, com uma taxa de 87%. A progressão é mais contida — mais 88 alunos, um crescimento de 7,4%, e uma subida de 3,7 pontos percentuais —, mas parte de um patamar já elevado, próximo dos valores nacionais do subsistema universitário.

Estes resultados inscrevem-se num ano de forte recuperação em todo o país. Segundo o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 foram colocados 49.991 estudantes, «mais 13,9% em relação a 2025, de acordo com os dados do Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.)».

O ministério acrescenta que «este é o maior número de colocados da última década, com exceção de 2020, ano em que foram adotadas regras excecionais para a conclusão do Ensino Secundário e para a utilização de exames nacionais como provas de ingresso».

O comportamento do ensino politécnico ajuda a explicar a dimensão da subida no Alentejo. Segundo o a mesma fonte, «a diferença entre as taxas de ocupação nas instituições universitárias e politécnicas reduziu-se significativamente, passando de 28,7 pontos percentuais, em 2025, para 17,8». No subsistema politécnico foram colocados 16.679 estudantes, mais 3.497 do que no ano anterior, com o número de colocados a crescer 26,5% .

Ainda assim, o fosso territorial persiste. O ministério reconhece que, em relação ao ano anterior, a taxa de ocupação das instituições de ensino superior localizadas no interior do país «aumentou cerca de nove pontos percentuais», mas ressalva que «mantém-se uma diferença territorial significativa». Os números confirmam-no: «a taxa de ocupação é de 94,1% no litoral e de 69,2% no interior». Mais: «as instituições do interior concentram 19,8% das vagas iniciais, mas 52,4% das vagas disponíveis para a segunda fase».

O ministério atribui o crescimento nacional às novas regras de acesso, sublinhando que este é «o primeiro ano de aplicação de uma maior flexibilidade na definição das provas de ingresso».

As instituições «puderam acrescentar aos elencos de provas de ingresso previamente definidos dois elencos alternativos, cada um constituído por uma única prova de ingresso, dando assim maior autonomia às universidades na fixação das condições de acesso».

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