De acordo com os relatório do Programa Escola Segura da PSP relativos aos anos letivos 2024/2025 e 2025/2026, o Comando Distrital de Beja passou de 23 para 32 ocorrências, o que representa um aumento de 39,1%. A subida foi determinada pelas ocorrências de natureza criminal, que passaram de 13 para 24, um crescimento de 84,6%. Já as ocorrências não criminais diminuíram de dez para oito.
Com estes números, Beja passou a ser, entre os três comandos distritais do Alentejo, aquele que registou mais ocorrências no âmbito do Programa Escola Segura em 2025/2026. No ano letivo anterior, o comando apresentava o valor mais baixo dos três, com 23 ocorrências, abaixo das 33 de Évora e das 24 de Portalegre.
O aumento das ocorrências em Beja verifica-se num ano em que diminuiu o número de polícias afetos ao programa naquele comando: de oito elementos em 2024/2025 para seis em 2025/2026.
A evolução registada em Beja é ainda mais expressiva quando comparada com a tendência regional. Somados os comandos distritais de Beja, Évora e Portalegre, as ocorrências diminuíram de 80 em 2024/2025 para 59 em 2025/2026, uma redução de 21 casos, correspondente a 26,25%.
As ocorrências de natureza criminal nos três comandos baixaram de 56 para 46, menos 17,9%, enquanto as situações não criminais recuaram de 24 para 13, uma quebra de 45,8%. Assim, apesar do forte aumento observado em Beja, a redução verificada sobretudo em Évora fez baixar de forma acentuada o total regional.
No caso de Évora, o número de ocorrências caiu de 33 para 11, correspondendo a uma diminuição de 66,7%. As ocorrências criminais passaram de 24 para oito e as não criminais de nove para três, representando em ambos os casos uma redução de dois terços. Évora, que em 2024/2025 era o comando alentejano com maior número de ocorrências no Programa Escola Segura, passou assim para o valor mais baixo entre os três comandos no último ano letivo.
Também em Portalegre foi registada uma diminuição. O número total de ocorrências passou de 24 para 16, menos oito casos e uma redução de 33,3%. As ocorrências criminais diminuíram de 19 para 14, enquanto as não criminais passaram de cinco para duas.
A alteração dos números modificou substancialmente o peso de cada comando no total regional. Em 2024/2025, Évora representava cerca de 41% das ocorrências registadas nos três comandos, seguida de Portalegre, com 30%, e Beja, com cerca de 29%. Um ano depois, Beja concentra mais de metade das ocorrências, com 32 dos 59 casos registados nos três comandos, o equivalente a cerca de 54%.
No conjunto dos três comandos, a PSP abrangia 22.771 alunos e 76 estabelecimentos de ensino em 2024/2025, contando com 17 polícias afetos ao programa.
No conjunto do país, a tendência foi diferente da observada nos três comandos alentejanos. A PSP registou 4.075 ocorrências no Programa Escola Segura em 2025/2026, contra 3.897 no ano anterior, um aumento de 4,6%. As ocorrências criminais subiram 3,8%, de 2.791 para 2.898. Foram detetadas 60 armas, das quais três de fogo e 50 brancas. As situações associadas a bullying e cyberbullying subiram para 177, o equivalente a 6,1% das ocorrências criminais.
A PSP dedica também uma análise específica ao bullying e ao cyberbullying, sublinhando que estes comportamentos têm grande impacto no sentimento de segurança da comunidade escolar. Admite, contudo, que o número de situações denunciadas pode não corresponder à sua dimensão real. Estes comportamentos não estão tipificados como crime e podem surgir enquadrados noutros ilícitos, como ofensas à integridade física, injúrias, ameaças ou difamação.
A PSP chama igualmente a atenção para a redução do número de polícias afetos ao Programa Escola Segura, uma tendência que se tem vindo a verificar nos últimos anos. Refere que a integração de agentes em equipas mistas de Escola Segura e Apoio à Vítima, acumulando funções, diminui a disponibilidade exclusiva para o programa e acaba por afetar o tempo destinado à visibilidade policial e à realização de ações de prevenção criminal.
Em matéria preventiva, o relatório destaca a continuidade da aposta em ações de sensibilização, fiscalização e proximidade, definidas a partir da análise das ocorrências do ano letivo anterior. Entre as áreas consideradas prioritárias estão o bullying e o cyberbullying, a prevenção da delinquência juvenil, a posse e uso de armas, a violência nas escolas, a segurança na internet, a violência no namoro e os comportamentos aditivos.










