A manifestação é organizada pela Aproserpa – Associação de Produtores do Concelho de Serpa, que diz que os agricultores vão sair à estrada para mostrar a sua «indignação perante a falta de condições para manter as explorações a funcionar».
«Os custos não param de subir, os preços não pagam o trabalho de quem produz e quem vive da terra e do gado está a ser deixado para trás», refere a associação, acrescentando: «Somos orgulhosamente agricultores, gostamos de ser agricultores e queremos continuar a ser agricultores».
A concentração está marcada para as 07h00 em Serpa, no recinto do mercado mensal, e para as 07h30 em Vila Nova de São Bento, junto às bombas de combustível. A coluna de Serpa parte às 07h30 e a de Vila Nova de São Bento às 08h00. O cruzamento está previsto para as 08h45, junto a A do Pinto, de onde as duas colunas seguem juntas em direção a Serpa, onde chegarão pelas 10h00, e daí para a ponte do Guadiana.
Em declarações à Alentejo Ilustrado, o presidente da Aproserpa, João Revez, explica que uma hora de trabalho de um trator de gama média, que gasta cerca de 20 litros de gasóleo, custava 20 euros em combustível no princípio do ano e custa agora 37,5 euros, «quase o dobro».
Dois tratores a trabalhar oito horas gastam cerca de 320 litros, o que, nas suas contas, é «um volume de gasóleo equivalente àquilo que um carro precisa para fazer seis mil quilómetros». Também as sementes certificadas, os fertilizantes, os adubos e as rações «estão a ter aumentos semanais», agora que se aproxima a campanha de sementeiras de outono e inverno.
«A gente ainda não fez as sementeiras. Neste momento estamos num bloqueio absoluto, porque a gente não sabe como é que vai proceder. Se vamos semear o mesmo, se vamos semear menos, se vamos semear de todo», afirma.
Os apoios anunciados pelo Governo, garante, «não chegaram» aos agricultores. «Nós registamos os apoios, não estamos a dizer que o Governo não fez nada, mas dizemos é que são insuficientes», sublinha. No caso do sequeiro, os dois apoios acumulados não dão, segundo o dirigente, para comprar 20 litros de gasóleo agrícola por hectare, quando o consumo «é muito maior».
João Revez defende que «já devia ter sido criado um mecanismo» em que, «a partir de um determinado valor, os sinais de alarme acendiam e o Estado intervinha relativamente ao gasóleo agrícola». A proposta, diz, já foi apresentada pela associação numa reunião com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, porque «a partir de determinado valor torna-se inviável trabalhar».
O presidente da Aproserpa, que representa 1.424 explorações agrícolas do concelho, admite ainda que a subida dos custos não terá reflexo nos preços de venda. «Estes valores não vão ser refletidos no preço a que nós vendemos os produtos. Isso é um dos nossos grandes problemas», frisa, acrescentando que, «se nós fizermos um investimento e sabemos à partida que vamos perder dinheiro, não o vamos fazer».
Para já, nenhum agricultor da associação fechou portas. «Somos muito resilientes. Isto é a única profissão que se conhece em que deitamos à terra a semente no princípio do ano, sem saber como é que o ano vem. Se nós não fôssemos resilientes, não éramos agricultores», conclui.
Fotografia: Encontro de agricultores em Serpa. Fotografia: © Nuno Veiga/Lusa/Arquivo











2 Responses
https://www.raisinor-bioethanolavance.com/nos-marches/
Não há discussão de Productores de uva para se fazer biocombustíveis. Pode ser importante