Estratégia rodoviária por cumprir e mortes quadruplicaram na Páscoa

A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, anunciada em 2021 com o objetivo de reduzir em 50% os mortos e feridos graves até 2030, continua por concretizar, num contexto em que a sinistralidade rodoviária dá sinais de agravamento.

O número de mortes nas estradas durante as operações de Páscoa da GNR e da PSP deste ano quadruplicou em relação ao ano passado. Este ano, morreram 20 pessoas durante as operações de Páscoa da GNR e da PSP, um número quatro vezes superior ao registado em 2025.

Olhando para os dados da GNR, foram registadas 14 mortes numa operação que durou menos seis dias do que a do ano anterior: em 2025, a operação decorreu durante 11 dias e registou cinco mortes e, este ano, durou 5 dias.

Apesar do aumento do número de vítimas mortais, foram registados menos acidentes e menos feridos. Este ano, contabilizaram-se 941 acidentes, 31 feridos graves e 266 feridos ligeiros, enquanto em 2025 se registaram 2.322 acidentes, 50 feridos graves e 649 feridos ligeiros.

Já a PSP registou seis mortes, quando no ano passado não houve qualquer vítima mortal.

Perante estes dados, o Ministério da Administração Interna anunciou que vai apresentar um pacote de medidas estratégicas relacionadas com a segurança rodoviária, a curto, médio e longo prazo.

Para o ministério, «a resposta a este flagelo tem de ser conjunta», uma vez que a segurança rodoviária «exige um esforço e um compromisso de todos: do Estado, das autarquias, das entidades públicas e privadas e de cada cidadão».

Apesar das campanhas de sensibilização e da fiscalização rodoviária, bem como da melhoria das condições de segurança das infraestruturas e dos veículos, «confirma-se a persistência de comportamentos de risco: condução sob o efeito de álcool, excesso de velocidade e o uso indevido do telemóvel durante a condução».

Também o ministro da Administração Interna assumiu hoje, no final de uma reunião em Cuba, que «o Governo está muito preocupado com esta situação».

Luís Neves reconheceu o aumento da sinistralidade, acrescentando que se estende ao próprio trimestre. «O primeiro trimestre deste ano aponta também para números, quer de mortos, quer de feridos, muito superiores aos do ano passado, em período homólogo», disse.

Apesar deste agravamento, a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária continua por concretizar. Anunciada em 2021, previa reduzir em 50% os mortos e feridos graves nas estradas portuguesas até 2030, tendo chegado a ser apresentado um documento pelo anterior Governo socialista.

Em fevereiro, o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária indicou que a estratégia entraria brevemente em consulta pública e contempla 40 medidas em áreas como o álcool e a fiscalização.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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