Foi inaugurado no dia 27 de maio de 2005 por Mariano Gago, então ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tendo como associados fundadores a Fundação para a Ciência e Tecnologia, posteriormente substituída pela Ciência Viva, a Universidade de Évora, a Câmara Municipal de Estremoz e a (ainda) Direção Regional de Educação do Alentejo.
Desde então, o Centro Ciência Viva de Estremoz (CCVE) tem vindo a incrementar múltiplas atividades, projetos, eventos e exposições no campo “da promoção e divulgação da cultura científica e tecnológica em várias áreas do saber”, sendo considerado um dos centros mais prestigiados do país.
Salientando a grande componente interativa das exposições dos Centros Ciência Viva, por oposição às mostras museológicas mais habituais, conduzindo “a uma interação maior entre os visitantes e aquilo que está exposto”, Rui Dias diz que o que distingue o Centro Ciência Viva de Estremoz dos outros é que, desde o início, todas as visitas são guiadas e os telemóveis dos grupos escolares deixados do lado de fora.
O geólogo, coordenador científico do CCVE e professor catedrático da Universidade de Évora dá conta que cerca de 65 por cento dos visitantes são grupos escolares, “uma das grandes apostas” do Centro, que recebe cerca de 20 mil visitantes por ano.
A outra “grande aposta” é uma “forte ligação” à Universidade de Évora, que aprova todas as atividades e disponibiliza docentes sempre que as iniciativas a desenvolver não são na área da Geologia – assegurado pelo próprio coordenador. “Isto garante que tudo o que fazemos tem uma componente científica muito boa”, nota.
A Escola Ciência Viva, uma escola para o 1.º Ciclo do Ensino Básico a funcionar no Centro, é um dos projetos de continuidade que marca o trabalho da instituição com a comunidade escolar, desde janeiro de 2019. Recebe todas as escolas do concelho durante uma semana, para “trabalhar conteúdos do currículo e fazer uma série de atividades com uma forte componente científica e de inovação”.
Outra característica que o distingue é a sua “grande capacidade de se adaptar e tentar responder às solicitações”. Por altura da covid-19, em que os professores foram obrigados a lecionar à distância durante meses, não tendo materiais que os pudessem apoiar, o Centro produziu e realizou vídeos científicos em canal aberto, fornecendo assim o material necessário – a que a equipa e a Universidade de Évora têm vindo a dar continuidade.
E quando as escolas voltaram a abrir, ainda com algumas precauções, levaram exposições interativas a todas as elas, do Algarve a Trás-os-Montes. Também por isso, o CCVE é único na “ligação forte” com as escolas. A título de exemplo, Rui Dias dá conta que as de Braga, todos os anos, vêm passar uns dias a Estremoz para realizarem atividades; e no primeiro trimestre de 2026 irão levar alunos da Nazaré aos Pirenéus, respondendo a uma solicitação nesse sentido.
As Saídas de Campo são mais uma atividade do Centro Ciência Viva, que leva anualmente cerca de mil alunos para o campo com as suas equipas. De Geologia e Biologia, estas atividades estão também disponíveis para grupos familiares e empresas, e vão ter continuidade em 2026.
Já os jantares monásticos marcam a ligação à comunidade local, experiência que surge da necessidade de “dinamizar culturalmente a região” e o seu património cultural e artístico.
Ao longo de 20 anos, estiveram envolvidas nas atividades realizadas no Convento das Maltezas mais de 250 mil pessoas. As exposições tiveram mais de 195 mil visitantes escolares, a que se somam mais de 39 mil visitantes com outras origens, que não os estabelecimentos de ensino. Dentro em pouco, o CCVE terá envolvido cerca de um milhão de pessoas nas suas múltiplas atividades.

São muitos os projetos que têm marcado a vida do Centro de Estremoz. “Por vezes são instalações”, nota Rui Dias, que destaca o sistema solar à escala que foi instalado em todo o concelho, com o Sol à porta do Centro e Plutão colocado em Évora-Monte. “É dos poucos sistemas solares à escala que existem em todo o mundo. Isto é algo que criámos em 2007 e continua a ser percorrido, às vezes em bicicleta, e frequentemente pelos jovens que nos vêm visitar”.
O coordenador recorda que uma das atividades “com sucesso assinalável” foi a Ciência na Rua. Um festival de ciência, “diferente de todos os outros”, levado a cabo durante oito anos e, entretanto, interrompido por implicar custos “muito elevados”. Assente em sete temas científicos, inclui “sete quiosques explicando o conceito” e envolve sete grupos de artistas, do teatro ao circo, “que vão pela cidade representando como encaram aquele evento”.
Há uma boa notícia. O Ciência na Rua estará de regresso no fim de junho do próximo ano, dedicado ao tema da “sustentabilidade insustentável”, sendo que tudo indica a aprovação de projetos que irão assegurar a sua realização também em 2027 e 2028. Rui Dias sublinha tratar-se de um tema muito “acarinhado” pelo CCVE, que o tem trazido para a ordem do dia fazendo conferências interativas para centenas de alunos.
Dar continuidade ao que está a ser feito e reatar algumas atividades entretanto interrompidas marcam, essencialmente, o calendário de atividades para o próximo ano. O projeto Viagens de Finalistas também vai estar de volta ao Convento das Maltezas, já no final de janeiro, que vai receber 80 finalistas do 11.º ano, por três a quatro dias. O programa compreende manhãs de confraternização e atividades desportivas, tardes de atividades de Biologia dinamizadas por docentes da Universidade de Évora, e de Geologia, pelo coordenador científico, com as noites reservadas para as atividades lúdicas. Já estão garantidas as 80 inscrições.
A formação de professores que é já uma prática – em 20 anos, o Centro fez ações para mais de dois mil docentes em todo o país – também irá prosseguir. “É importante mostrar aos professores que a ciência vai evoluindo e que eles não podem ficar apenas com aquilo que aprenderam”. O CCVE tem vindo a realizar uma ação relevante também neste aspeto.

Os primeiros três dias de dezembro, por exemplo, foram marcados pela vinda a Estremoz de três especialistas mundiais de várias áreas ligadas à Ciência da Terra, e que estão a “reescrever a ciência”. O acontecimento envolveu as universidades do Minho, Coimbra, Aveiro, Porto e Braga. “Pelo seu interesse, as conferências vão ser divulgadas para que os professores possam usar [esse conhecimento], pois uma das nossas preocupações é, também, melhorar o ensino”.
O coordenador científico dá conta de uma frase que Mariano Gago costumava usar, e que, segundo refere, é necessário ter presentes, pois “não há democracia nem escolhas, se não tivermos uma comunidade e uma sociedade informadas”.
“Esta frase” – conclui Rui Dias – “passou a ser um móbil muito grande do Centro Ciência Viva de Estremoz. É preciso as pessoas perceberem os grandes desafios do mundo em que vivemos, caso contrário faremos opções baseadas em emoções e não baseadas em conhecimento”.











