O documento lembra que «o paramento nascente do revelim derrocou em janeiro quando se intensificou a pluviosidade na região, antes da tempestade Kristin que ocorreu no dia 28» desse mês, acrescentando que, na mesma zona, um dia antes dessa derrocada, «tinha ruído o muro a nascente, contíguo à ponte e caminho de acesso à Porta de Évora».
A análise da cartografia histórica levou as técnicas a concluir que «originalmente, não existia a Porta de Évora nem qualquer atravessamento viário sobre o revelim», que surgiu apenas no século XVIII; antes disso, o acesso fazia-se «através de duas pontes dormentes, em estrutura de madeira, removíveis em ambiente de guerra».
O relatório sublinha que a pavimentação em alcatrão da rampa, «que terá ocorrido após 2010», veio facilitar «a circulação automóvel que apenas ocorria na estrada de ligação à IP2», aumentando «a área de impermeabilização e os esforços sobre a estrutura do revelim que, aparentemente, terão tido influência na derrocada que se verificou».
Recordando que o revelim «já tinha derrocado anteriormente, tendo sido reconstruído» pela extinta Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1996, as técnicas do Património Cultural, IP sublinham que a estrutura se encontra, «de momento, interditada ao tráfego rodoviário e assim deve permanecer até resolução da situação».
Quanto ao futuro, o relatório é categórico: o acesso automóvel pela rampa é «uma situação recente e que parece ter prejudicado a estabilidade do revelim», pelo que, «deve ser interditado de forma permanente». O documento propõe ainda que seja o instituto público a encomendar e financiar o projeto de execução para a reconstrução, mas sem circulação automóvel, incluindo «a análise e recuperação das pontes dormentes e levadiça, do próprio fosso e drenagem geral». E indica que o projeto «deverá respeitar a imagem do revelim e demais construções, [e] preparar estruturalmente o conjunto para os esforços a que ficará sujeito».
Sendo este o caso mais preocupante, as autoras avançam com a proposta de elaboração do «levantamento altimétrico das muralhas e faixas envolventes», permitindo a definição de um retrato rigoroso do estado atual da estrutura, para servir de base ao «desenvolvimento de um plano geral de intervenção, por troços, que deve considerar também a melhoria da drenagem pluvial e a remoção de construções desqualificadas e pavimentos impermeáveis contíguos às mesmas».
Para isso, sugerem um protocolo entre o instituto público e o Município, numa colaboração institucional que «revertia a perspetiva atual, de intervir nas situações já derrocadas ou extremas de ruína eminente, e possibilitava uma série de ações consertadas e planeadas».
Entre os restantes pontos «críticos» que o relatório elenca, destaca-se o Baluarte de Nossa Senhora dos Prazeres, junto ao Hotel Páteo dos Solares, onde são «visíveis lacunas na alvenaria», bem como «derrocada parcial do cunhal em mármore e do remate superior do paramento». Neste caso, existe já um projeto do município, aprovado condicionalmente pela Direção-Geral do Património Cultural em janeiro de 2024, faltando «atualização da estimativa e enquadramento financeiro» para avançar com o concurso de empreitada.
«Não se tratando de um caso extremo e do nosso ponto de vista prioritário, a situação deveria ser também analisada pelo lado intramuros e não apenas do ponto de vista dos paramentos pelo exterior, que parece ter sido o objeto do projeto existente», assinalam as técnicas.
No Meio Baluarte do Reguengo, o documento identifica «fendas», «proliferação de vegetação nas juntas da alvenaria» e boeiros «completamente obstruídos», ressalvando que só foi possível analisar o exterior, «desconhecendo-se completamente a situação intramuros», onde se observam construções próximas do paramento.
Já no pano de muralha junto à Porta do Arco de Santarém, contíguo à Casa do Alcaide — atualmente sem cobertura —, a situação «só poderá ser resolvida com o desenvolvimento do projeto/obra da Casa do Alcaide», defende o relatório, sublinhando que «os danos no pano de muralha extramuros parecem ter origem no interior da habitação e estar relacionados com problemas que se desconhecem».
Já quanto ao muro no Largo D. Dinis, que ruiu em abril de 2025 e cujo risco de derrocada havia sido identificado, pelo menos, três anos antes, o documento lembra a sua localização «muito próxima de edifícios classificados [como] Monumento Nacional», recomendando que a autarquia assegure também drenagem de águas pluviais, cuja ausência terá contribuído para a derrocada.
Já na Porta do Sol, foi identificada a existência de «um muro em alvenaria de tijolo, possivelmente, um muro pertencente a construção desaparecida intramuros, e que se encontra em desequilíbrio sobre o adarve da muralha». Trata-se, no entender das técnicas, de uma «situação perigosa, já que o muro pode derrocar a qualquer momento e com isso destruir as edificações, que se situam em cota inferior no arruamento».











2 Responses
Concordo que o transito seja cortado para sempre, o que faz falta é a muralha arranjada.
⁹
Pelo menos desde 1973, altura em que fui viver para Estremoz, o acesso pelas portas de Évora, sempre esteve aberto, será que a derrocada não se deveu a falta de manutenção!!!
O acesso ao castelo neste momento está quase todo a ser efectuado pela rua da Frandina, rua de difícil acesso e com constrangimentos diários, razão pela qual, a minha opinião é de que o acesso pelas portas de Évora, deveria ser restaurado conforme estava e com acesso a viaturas ligeiras.