Estudo em Ourique aponta para mil toneladas diárias de desperdício alimentar

Um estudo da associação ambientalista Zero concluiu que as famílias portuguesas podem chegar a desperdiçar mil toneladas de alimentos por dia, num exercício de extrapolação a partir de uma pequena amostra no município de Ourique.

A propósito do Dia Internacional do Resíduo Zero, a associação alerta que «uma população (bairro ou freguesia) de apenas 300 habitantes poderá desperdiçar até 12 toneladas de alimentos por ano nas suas habitações, colocando-os nos resíduos indiferenciados».

«Extrapolando estes dados, uma cidade de 100 mil habitantes poderá gerar 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados que, em vez de serem consumidos por quem os adquiriu ou doados aos setores mais carenciados, terminam em unidades de tratamento de resíduos ou, mais frequentemente, depositados em aterro», refere a mesma fonte.

Segundo a pesquisa da Zero, «fazendo um exercício para a realidade nacional» com base nos dados recolhidos em Ourique, «estaríamos perante números de desperdício alimentar que rondariam as 376 mil toneladas por ano, ou seja, 38 kg/habitante/ano, ou ainda cerca de mil toneladas por dia».

O trabalho, desenvolvido em colaboração com o município de Ourique, no âmbito do programa de certificação “Zero Waste Cities”, analisou os resíduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, mediante uma amostra total de 250 kg, recolhida em dois momentos ao longo de um ano.

Segundo os ambientalistas, «os resultados mostram que, mesmo havendo separação na origem dos biorresíduos alimentares, as famílias tendem a colocar uma parte importante dos alimentos consumidos no lixo, sejam restos de refeições, frutas, legumes, pão a granel ou alimentos ainda nas suas embalagens».

No caso dos três bairros analisados em Ourique, com 150 habitações e dois estabelecimentos de restauração, «51% dos indiferenciados são biorresíduos e o desperdício alimentar mantém uma expressão significativa, representando 28% dos biorresíduos e 16% do total de resíduos caracterizados».

«Considerando» – prossegue a Zero – «que a recolha da fração indiferenciada ocorre três vezes por semana, e assumindo que a composição dos resíduos se mantém constante ao longo do tempo, estima-se que, ao fim de um ano, sejam desperdiçadas mais de 12 toneladas de alimentos, apenas nestes três bairros e apenas na fração de lixo indiferenciado».

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 30,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar